segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Um arcebispo invulgar


A estátua de D. Frei Bartolomeu dos Mártires em Viana do Castelo

Nos últimos dias, Braga foi palco de um congresso internacional sobre o Concílio de Trento, onde foi dado particular relevo a um dos mais eminentes prelados bracarenses. Embora se tenha destacado mais do ponto de vista da ação pastoral, e não tanto como Senhor da cidade de Braga, D. Frei Bartolomeu dos Mártires é uma referência inevitável na história da nossa cidade.
Natural da freguesia dos Mártires, em Lisboa, onde nasceu em 1514, o prelado tomou o hábito de dominicano desde os 15 anos. Nessa qualidade foi professor de teologia em Évora e, mais tarde, Prior do convento de Benfica. Não podemos isolar a sua existência do contexto histórico que viveu. Homem do seu tempo, D. Frei Bartolomeu dos Mártires certamente se deixou tocar pelos muitos conflitos de índole religiosa existentes na Europa devido à Reforma Protestante protagonizada por Martinho Lutero. Tido como um homem de boa índole, simplicidade e humildade – segundo é citado - detinha o perfil perfeito para ocupar a cadeira de Arcebispo Primaz. E assim foi em 1559, sendo D. Catarina regente, D. Frei Bartolomeu tornou-se Arcebispo de Braga.
Em Braga preocupou-se particularmente com a instrução religiosa e dedicou-se a visitar o território da Arquidiocese, tomando pulso aos problemas dos seus ‘rebanhos’. Deve-se a este prelado a memorável participação no Concílio de Trento onde D. Frei Bartolomeu interveio com brilhantismo. Este Concílio foi um dos momentos mais importantes na história do cristianismo, dado que deu início a uma grande reforma na Igreja, que D. Frei Bartolomeu dos Mártires fez questão pôr em prática, mandando abrir o primeiro seminário da Península Ibérica. Em 1582 pediu a renúncia do cargo de Arcebispo, segundo se diz, por se sentir afetado pela morte de D. Sebastião e consequente perda da independência do reino. Retirou-se para o Convento de S. Domingos em Viana do Castelo onde veio a falecer, com fama de santo, em 1590. Foi beatificado pela Igreja Católica em 2001, reconhecendo-se desta forma as suas qualidades humanas e morais.
Um dos testemunhos mais marcantes da sua passagem por Braga não poderia ser mais singelo. Trata-se de um cruzeiro de simples feitura, desde sempre implantado no recinto de S. João da Ponte. Este monumento evoca um período particularmente difícil para a cidade de Braga. Em 1570 a “peste”, que vitimou milhares de portugueses, atingiu Braga. Sendo esta uma doença contagiosa, era necessário isolar os doentes para tentar a sua reabilitação, evitando contaminar a restante população. Aquando deste acontecimento, D. Frei Bartolomeu dos Mártires recebeu missivas do próprio rei para abandonar Braga e evitar ser contaminado, todavia rejeitou. Como relata D. Rodrigo da Cunha poucos anos após, em 1635, D. Frei Bartolomeu dos Mártires “proveu no remédio dos feridos, mandando-os curar na casa da saúde que ordenou se fizesse na devesa dos Arcebispos. (…) Deixou-se ficar na cidade, e por sua boa diligência, ou o que é mais certo, por seus grandes merecimentos, o mal cessou em breve e durou muito menos tempo do que em outras povoações de menos consideração (…) Há desta peste memória na pedra do cruzeiro da ponte de Guimarães”. Para além do hospital que mandou construir na sua devesa, onde atualmente está o Parque da Ponte, ele próprio tratava os doentes “administrando-lhes os sacramentos, visitando-os e curando-os…”. Graças à insistente acção de D. Frei Bartolomeu dos Mártires a peste não se prolongou por muito tempo nem fez, em Braga, um número elevado de óbitos.
Em homenagem e gratidão da cidade ao seu prelado, a Câmara mandou erguer um cruzeiro, poucos anos depois, no preciso local onde foi erigido o hospital dos pestíferos. Até hoje o cruzeiro está junto à Capela de São João da Ponte, embora o local que ocupa no presente não seja o primitivo. Assenta sobre um pequeno pedestal, em que se podem ler as seguintes inscrições: “Sendo Arcebpo de Braga Do. F. Bertolamev dos Martires ovve peste nesta cidade no ano de 1570 e os empedidos fora trazidos a esta deveza”.
Outra das marcas mais significativas da passagem de D. Frei Bartolomeu por Braga é o Colégio de São Paulo, que foi um importante centro de difusão cultural de Braga e do Minho.
A fundação do colégio, onde atualmente está instalado o seminário Maior de Braga, é atribuída a D. Diogo de Sousa no ano de 1531, todavia o edifício e o seu funcionamento só foi efectivado três décadas após. A iniciativa de chamar os Jesuítas para Braga passará para a história como ação de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, que foi o Arcebispo que oficialmente concretizou a entrega do Colégio de São Paulo à Companhia de Jesus no distante ano de 1560. O seu brasão está, por isso, gravado no templo desta edificação religiosa.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mais um monumento no rol bracarense

Hoje, os bracarenses receberam mais uma excelente notícia. A Direcção Geral do Património iniciou o processo de classificação da Capela de Santa Maria Madalena da Falperra como monumento de interesse público. Esta edificação religiosa, saída das mãos do grande André Soares na década de 50 do século XVIII, é um dos monumentos barrocos mais relevantes do concelho de Braga.
Apesar das polémicas sobre se a linha de fronteira entre Braga e Guimarães passa atrás da sacristia ou em frente da fachada, a verdade é que foi erigida voltada à cidade dos arcebispos e a expensas dos fiéis bracarenses. Mais bracarense é difícil, mesmo que nos anos 60 alguém se tenha lembrado de desenhar a linha da carta militar um pouco mais à frente do que duas décadas antes...
A fachada marca pela originalidade dos traços, as duas 'falsas' torres, o janelão central e o seu enquadramento no retábulo de pedra desenhado pelo arquitecto do Minho. A planta é inusitada e não se sabe muito bem a quem atribuir a sua autoria.
O traçado rococó continua no interior, onde se podem admirar três retábulos, também de André Soares, que completam com sublimidade o percurso iniciado no exterior. Saliente-se a imagem de Cristo na cruz, que preenche o retábulo-mor, encomenda do início do século XX, ao grandioso escultor bracarense João Evangelista Vieira, e que inspirou o escritor lisboeta Antero de Figueiredo numa das suas grandes obras "O último olhar de Jesus".  Para crentes ou não-crentes, vale a pena admirar!

domingo, 3 de novembro de 2013

O desastre arsenalista

Estou chocado! O Sporting de Braga teve dois jogos em casa contra equipas de qualidade inequivocamente inferior. Mesmo assim saiu derrotado nos dois jogos, manifestando evidentes fragilidades na forma de construir o jogo e na concentração dos seus intérpretes. No rescaldo da quarta derrota consecutiva para a Liga, e depois de algumas vitórias alcançadas de forma sofrível, o treinador vem dizer que ele e os jogadores estão de consciência tranquila, pois «tudo fizeram para ganhar». Ora, quem assistiu a todos os jogos do Braga sabe bem que isto não é verdade, para além de significar uma falta de humildade gritante. Por tudo isto, urge concluir que se Jesualdo Ferreira se mantiver como treinador do Braga pouco ou nada vai mudar, portanto a época do Braga terminou aqui. Está nas mãos de quem manda, alterar o destino...

Perante isto, grassa a desilusão entre os adeptos do Braga. Os grandes momentos já parecem distantes. Onde anda Domingos Paciência?