sábado, 30 de março de 2013

No Bom Jesus com Camilo Castelo Branco


 «Prendendo o fio da breve narrativa, as obras continuaram prosperamente desde 1722. Os passeios interpostos às capelas datam desta época. No local onde está S. Longuinhos, oferta de um devoto em 1819, era a torre do antigo templo, inteiramente abatido. Algumas capelas foram feitas à custa dos professores de latim de Braga. Não se julgue da riqueza de um mestre de latim no século passado, nem da sua santimónia por este facto. Ë que os valentes ousaram medir-se arca por arca, sobre a competência do ensino, com a companhia de Jesus. Perderam a demanda, e pagaram as custas, com as quais se construíram principalmente as quinze estátuas dos escadórios. Pobres latinistas! aquelas estátuas deviam simbolizar a vossa angústia petrificadora, quando vos converteram o suor em Esdras, e Josephos, e Salomões! Os jesuítas meteram-vos à força a imortalidade em casa. Manuel Rebelo da Costa, falecido em 1771, foi o braço mais poderoso que tirou da rocha o máximo das grandezas do santuário. Seguiu-se depois a edificação do templo, coadjuvada por Pedro José da Silva, e a plano do arquitecto Carlos Luís Ferreira da Cruz Amarante, falecido no Porto em 1815, e sepultado na igreja da Trindade, cujo risco deste templo oferecera gratuitamente. Até este ano, eu nunca perguntei que mão piedosa levantara a primeira capela do santuário.»

In: "No Bom Jesus do Monte", Camilo Castelo Branco

Sem comentários:

Enviar um comentário