sábado, 23 de março de 2013

Memória Maior: Semana Santa de Braga

Foto de Arcelino (?) retrata a Semana Santa na década de 1950
A Semana Santa de Braga arranca amanhã e promete, uma vez mais, revelar-se com o maior produto turístico da cidade.
Para se fazer uma abordagem histórica à Semana Santa temos necessariamente que perceber que estas celebrações se realizam um pouco por todo o mundo cristão e que, mesmo as procissões se repetem um pouco por todo o país. Nesse aspecto, não há propriamente originalidade. Os elementos que fazem da Semana Santa de Braga a mais importante de Portugal referem-se essencialmente ao contexto geral da cidade nesta época e às tradições que os bracarenses fazem questão de manter. A denominada Procissão da Burrinha, recuperada em 1998, e as celebrações litúrgicas que conservam o secular rito bracarense, são exemplares únicos destas solenidades, porém os grandes momentos são atingidos com as procissões organizadas pelas Irmandades de Santa Cruz e da Misericórdia. Recuando ao período que intermedeia o último quartel do século XVII e os finais do século XVIII, assistiremos a uma Braga a fervilhar de devoção, com a fundação de inúmeras confrarias e com a construção de novos templos e a reforma de outros. Nessa altura, o calendário anual de procissões ultrapassava as largas dezenas. A Semana Santa era um momento significativo para algumas delas. Não havia propriamente um programa geral de celebrações, sendo que muitas delas coincidiam. A partir do momento em que a Irmandade de Santa Cruz, fundada em 1581, e em que a Irmandade da Misericórdia, fundada em 1513, se começaram a afirmar, as suas procissões adquiriram um igual destaque entre as demais. Depois surgiu um programa unificado, partindo das tradições subsistentes.
Entretanto, está lançado o repto para que a Semana Santa bracarense venha a tornar-se Património Imaterial da Humanidade, algo que necessita primeiro de um trabalho de investigação académica ainda inexistente. A meu ver é perfeitamente possível este ensejo, mas até acredito que as Festas de São João teria mais hipóteses e condições - dada a sua maior originalidade - de alcançar este estatuto. 
Todavia, primeiro é preciso investigar e redescobrir a nossa identidade histórica e dos nossos costumes e tradições...

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