sábado, 2 de março de 2013

Memória Maior: a fábrica Taxa

© Projecto Braga Tempo

A fábrica foi fundada em 1851 por José Baptista da Silva Taxa, desenvolvendo-se a partir da união de pequenos operários que a transformaram numa das maiores fábricas de Braga, não conseguindo, porém, atingir a dimensão da Social Bracarense.
A sua produção inicial ainda se assemelhava ao que se fazia então nas oficinas manufactureiras que fabricavam chapéus de feltro de lã, ainda sem o auxílio do vapor. Entretanto, recebeu a ilustre visita do rei D. Luís, aquando da sua vinda a Braga, para encerramento da 2ª Exposição Industrial, em 25 de Outubro de 1863.
A fábrica acabou por obter destaque devido aos seus produtos de qualidade reconhecida, fruto do investimento feito em nova maquinaria industrial, como a máquina a vapor de 10 cavalos, fabricada na ‘Fundição do Ouro’ (Porto), empregando 52 funcionários no ano de 1881.
A sua linha de produção em 1923 era muito semelhante à implementada na Social Bracarense: “suflagem, com o auxílio de máquinas; pastissagem; fulagem, manual e mecânica; tinturaria; estufas; engomação; informação; apropriagem; e planchamento”[1]. No rés-do-chão do edifício principal ficavam o embalamento e a expedição, tendo os escritórios e os depósitos no andar superior.
O seu capital inicial não deveria ser muito avultado, chegando a 1923 com um capital de 800 contos. Tinha nesta data uma produção diária de 500 chapéus, cerca de 15 mil por mês, empregando 110 funcionários. A indústria alemã e italiana começavam a constituir-se como uma ameaça para o sector industrial português. Para agravar a situação, as elevadas taxas aduaneiras praticadas pelo Estado português serviam de asfixia para estas indústrias, que desta forma não conseguiam concorrer com a produção estrangeira, que colocava os seus produtos a preços mais reduzidos no mercado.
A Fábrica Taxa localizava-se no final da rua com o mesmo nome, fazendo gaveto com a rua D. Pedro V, do lado esquerdo de quem sobe. A fábrica ocupava um edifício amplo com dois andares e que se estendia algumas dezenas de metros ao longo da rua.
Foi a segunda das históricas fábricas a desaparecer, no ano de 1987.



[1] ARAÚJO, Manuel (1923) – Indústrias de Braga. Notas de um jornalista. Braga: Pax, p.24.

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