sexta-feira, 22 de março de 2013

Ideias para Braga: editar livros sobre Braga

Braga tem mais de dois mil anos de história, um legado patrimonial que aborda diversas épocas e estilos e é sede de uma universidade que se afirma cada vez mais no contexto nacional. É indubitavelmente a terceira cidade do país - porque o critério para esta maioridade é dado obviamente pela demografia e pela independência económica e comunitária - e continua a parecer distante da sua história, muito por culpa da ausência de uma certa dinâmica cultural.
Faltam mais livros sobre a cidade. Falta reeditar obras de referência e editar outras só possíveis de consultar nas bibliotecas e arquivos em fac-simile. Porque não conseguimos aceder facilmente a documentos fundamentais para estudar a Braga setecentista e oitocentista como as "Memórias de Braga" de Manuel José da Silva Thadim, ou os "Fastos Episcopais da Igreja Primacial Bracarense" (1928), da autoria de Monsenhor Ferreira, as "Memórias de Braga" (1890) da autoria de Bernardino de Senna Freitas? Se estivessem disponíveis em livrarias, quantos mais bracarenses se apaixonariam pela sua história?
Falta apostar na investigação como motor da afirmação da cidade no contexto nacional e europeu com projectos que coloquem do mesmo lado a autarquia, as instituições culturais e a Universidade do Minho. Recordo o exemplar projecto da Casa de Sarmento em Guimarães...
É certo que a Câmara Municipal de Braga apoia a edição de dezenas de obras todos os anos, mas tal iniciativa não basta para suprir a falta de editoras na cidade. Há um vazio deixado pela APPACDM, que editou grande parte das obras de Eduardo Pires Oliveira ou Luís Costa, e pela extinção das livrarias Pax e Cruz. Actualmente o que se edita sobre história, património ou etnografia resulta principalmente de iniciativas institucionais. São várias, é verdade, mas será que suficientes para a valia dos anais de uma cidade como Braga? Quantos jovens investigadores - se incentivados por editoras, projectos de investigação ou pela dinâmica cultural da autarquia - não teriam oportunidade de explorar temáticas que jamais foram abordadas?
Estranho que alguns dos arautos da cultura brácara, se bastem com as edições da Fundação Bracara Augusta que, por mais mérito que tenham, são pouco significativas. Foram anunciadas novas edições para este ano, nomeadamente um interessante volume sobre a história do Sporting de Braga, todavia chegará para suprir a falta de algumas obras necessárias para a compreensão da história de Braga?
Eu tenho a certeza que não e espero, que a aproximação da Universidade do Minho com a autarquia, tendo por base uma política cultural devidamente fundamentada, possa ser decisiva no futuro cultural de Braga e, quem sabe, ajudar à fundação de editoras locais com capacidade para promover as suas obras.
Espero também que a revista Bracara Augusta, que já foi considerada a melhor no âmbito da história local, possa voltar a ter uma periodicidade mais significativa e que possa promover interessantes "batalhas" intelectuais sobre a história de Braga, tal como acontecia há umas décadas atrás. Porque, enquanto não existirem editoras a dinamizaro surgimento de novos livros, quem deve assumir esse papel é inevitavelmente a Câmara Municipal de Braga...e até pode tirar algum retorno económico dessa aposta.
Uma ideia para a cultura brácara...

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