quinta-feira, 28 de março de 2013

Farricocos para todos os gostos

O farricoco era, no passado, uma forma dos fiéis cristãos bracarenses se penitenciarem dos seus pecados, propondo-se caminhar descalços e incógnitos nas procissões que percorriam a cidade. O confessor dava a penitência durante a confissão e os fiéis cumpriam à risca tal preceito. Ajudavam a iluminar as ruas durante os préstitos e a chamar os fiéis às celebrações com o auxílio das matracas, dado que os tilintar dos sinos era proibido durante este tempo especial. O som estridente das matracas, com o seu ruge-ruge era também sinal de penitência...
Entretanto, os farricocos foram-se aproveitando do seu anonimato para denunciar publicamente os pecados daqueles que não faziam penitência. O ambiente era, por isso, temeroso, e algumas pessoas recusavam vir às janelas, não fosse cair-lhes em cima alguma acusação.
Hoje, as procissões já quase não servem para penitências, mas o farricoco mantém-se como figurante primordial.
Dada a sua originalidade, é um símbolo da cidade e o artesanato cada vez mais explora esta figura e ainda bem! E que tal criar um concurso de farricocos para dinamizar o artesanato e a criatividade? E que tal criar o doce do farricoco?

PS - É uma pena que ainda não tenhamos descoberto a forma de promover as figuras típicas do São João de Braga. Gostava, um dia, de ver o Rei David em barro ou um dos pastorinhos do carro dos pastores, ou ainda o S. João menino, cuja iconografia é originária dos festejos bracarenses.

1 comentário:

  1. Uma interessante iniciativa: soube, pelos meus sobrinhos, que alguns farricocos marcaram presença no ATL que estão a frequentar, para falarem um pouco do significado da figura e para fazerem uma pequena exibição. Uma forma muito concreta de levar estes elementos culturais aos mais novos e começar já a enfarinhá-los nas tradições que nos são tão caras.
    No seguimento do post scriptum, também eu gostaria de ver o rei David ou o grupo dos pastores a fazer visitas semelhantes.

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