quarta-feira, 27 de março de 2013

Como uma burrinha une uma comunidade

Quando, em 1998, a Junta de Freguesia de S. Victor e a paróquia homónima se juntaram para fazer renascer a denominada procissão da Burrinha, jamais imaginariam a repercursão que tal acto teria nos bracarenses e no próprio programa da Semana Santa de Braga.
Esta procissão inventada pelo S. N. I. (Secretariado Nacional da Informação) no tempo do Estado Novo para entreter os turistas no sábado santo, apenas sobreviveu cerca de seis anos, entre 1968 e 1973. Depois apagou-se e podemos dizer que a nova versão apenas conserva a burrinha como elemento original. Tudo o resto mudou.
O cortejo bíblico "Vós sereis o meu povo" reconstitui a história do povo judeu, a mesma história que se encaminhou simbolicamente para a vinda de Jesus Cristo. A primeira Páscoa, vivida por Moisés, tornou-se nova Páscoa com a morte de Cristo e a sua ressurreição. E esse objectivo do cortejo é perfeitamente claro durante o percurso. Mesmo para quem não é crente, este cortejo apresenta-se como uma interessante descoberta histórica sobre um dos povos fundadores da actual Europa.
Se é verdade que as solenidades bracarenses já se afirmam há décadas como o principal cartaz turístico de Braga, apresentando já aliciantes suficientes para garantir o sucesso do evento, com o ressurgimento da procissão da Burrinha ficou mais rica e acrescentou uma iniciativa que prima pela originalidade. Se as outras procissões se repetem um pouco por todo o país, esta não. E aí reside a diferença.
Acima de tudo, a procissão da Burrinha une a comunidade de S. Victor em torno de um acontecimento mobilizador. São mais de 800 pessoas a colaborar para, a cada ano, melhorar o figurino e enriquecer os quadros expostos. Isto sim é construir comunidade, ainda por cima num tempo marcado fortemente pelo individualismo.
Parabéns S. Victor!
Eis a prova como uma burrinha pode unir uma comunidade...

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