sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Uma estação da CP no parque da Ponte?

In: Commércio do Minho, 8 de Maio de 1888
E se lhe dissessem que o parque da Ponte esteve quase a acolher a segunda estação de caminhos de ferro de Braga? E se lhe dissessem que serviria de ponto de partida para uma linha ferroviária a ligar Braga a Chaves? E se lhe dissessem que até chegaram a delienar-se projectos e a oferecerse terrenos para cumprir este desiderato?
É verdade, tal como atestam os recortes de jornais aqui expostos, e reportados a maio de 1888. E o processo, pelos vistos, chegou mesmo a ser posto no papel, numa altura em que a febre do desenvolvimento permitia este tipo de "devaneios".
Se os bracarenses da época já pareciam desanimados pelo facto da linha que iria ligar Braga a Guimarães e Fafe, se limitar a chegar a Cavez (Cabeceiras de Basto), imagine-se se soubessem que o projecto - mais de um século depois - nunca chegaria a concretizar-se.
Porém, o projecto que esteve mais próximo de ser concretizado foi a ligação ferroviária entre Braga e Monção, acertada no prolongamento do ramal de Braga. Este projecto, que chegou a ter duas versões distintas, iria passar por Vila Verde, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, antes de atingir a vila de Monção.

Projectos à parte, certo é que a terceira cidade do país, que já o era nos finais do século XIX, nunca largou a categoria de ramal, mesmo sendo o centro da terceira região mais populosa do país. Talvez um dia Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos possam contar com um transporte rápido e eficaz que transforme sobremaneira as relações económicas e culturais entre elas. Enquanto isso não acontece, continuámos a ter um país cujo rede viária e ferroviária serve apenas como canal para os cebtros macrocefálicos de Lisboa e Porto. Basta pegar num mapa para perceber esta limitada tendência...

PS - Se a tão propalada e necessária ligação ferroviária entre Braga e Guimarães for uma realidade, diga-se que o parque da Ponte ou o sopé do monte Picoto seriam uma excelente opção para instalar a estação de partida...

Braga não é a América Latina

Sabemos que alguns países da América latina não trazem consigo as melhores referências no que toca à vivência democrática. Aí, onde a pobreza grassa com uma realidade alarmante e onde a iliteracia e o controlo da informação jogam a favor de quem está no poder, ocorrem fenómenos de política populista. Segundo o grande filósofo e sociólogo Max Weber, este tipo de orientação política caracteriza-se menos por um conteúdo determinado do que por um "modo" de exercício do poder, através de uma combinação de plebeísmo, autoritarismo e dominação carismática.
Os candidatos da esquerda extremista de alguns países sul americanos - geralmente a linha ideológica que assume o poder - escolhem a célebre falácia ad misericordiam, apelando aos "pobrezinhos" e "desfavorecidos" para não votarem nos "maus" que se encontram do outro lado, e que pretendem apenas retirar-lhes as casas entretanto oferecidas, o apoio na educação ou na saúde e até os passes para andarem nos autocarros. À falta de argumentos convincentes e de medidas que vão de encontro ao que esses países mais precisam, escolhem o caminho fácil: o populismo. Quando a maioria do eleitorado é iletrado e não está devidamente informado acerca da gestão de um país, este tipo de fenómenos ganham força. É certo que até resulta e o que acontece são líderes muito pouco democráticos, que se perpetuam no poder e raramente têm oposição. Obviamente, que em Braga nada disso sucede...ou alguma vez sucedeu.

Que seria se agora começasse a surgir o boato de que, se o candidato de direita ganhar as eleições a Câmara, vão acabar os passes sociais ou que vai ser brutalmente reduzido o apoio aos clubes sediados no município? Que seria se começassem a dizer por aí que o candidato da direita, caso vença as próximas autárquicas, vai aumentar o preço da água e do Imposto sobre Imóveis... algo que curiosamente não conseguiria fazer, dado que o executivo de esquerda já cobra a taxa máxima de IMI e um dos preços de água mais caros do distrito? Que seria se os candidatos populistas tentassem "diabolizar" o candidato de direita dizendo que é a raiz de todos os males da sociedade, que é igual ao Governo que está no poder e que concorda com todas as medidas que estão a penalizar os portugueses? Que seria se os candidatos da esquerda, aqueles que se dizem ao lado dos desfavorecidos, resolvessem agora dizer que o candidato de direita é o culpado pela extinção de 25 freguesias, ocultando o facto de não se terem pronunciado e com isso terem agravado o número de autarquias perdidas?
Obviamente que isto não acontece em Braga.

Ufa! Ainda bem que sou bracarense e que a democracia em Braga floresce e que o debate político é elevado e esclarecedor.

Evento Maior: Feira do Livro de Braga

Começou hoje, e dura até ao dia 9 de dezembro, um dos maiores eventos culturais de Braga: a Feira do Livro. A temática que dá o mote ao conjunto de iniciativas intitula-se "Antecipamos o futuro". Espera-se muito desta "segunda vida" do certame bracarense, após a alteração de data, de março para dezembro.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ricardo Silva e as Convertidas

«Pessoalmente, reitero uma ideia subscrita pela JovemCoop, de há uns anos a esta parte, que refere a possibilidade de Braga investir numa verdadeira política de juventude, criando uma infraestrutura que possa albergar os jovens, proporcionando-lhes uma estadia de qualidade. Falo, pois claro, numa Pousada da Juventude no centro histórico». «Se a Pousada da Juventude se localizar no centro, não haverá preocupações com a rede de transportes pois os jovens ficarão perto das estruturas de transporte e mobilidade».

Associação Famílias e as Convertidas



«O abandono a que está votado o recolhimento das Convertidas é um caso calamitoso e uma vergonha pública (...) que tem culpados». «Entre os governadores civis há um cujo nome pelas piores razões, jamais esquecerei: Cirilo Amorim» «perante testemunhas qualificadas, entre elas o Arcebispo Primaz, garantiu que entregaria o edifício em questão», facto desmentido «em menos de dois meses». «Criaturas destas são bons coveiros da democracia».
Carlos Aguiar Gomes

Grupo Gonçalo Sampaio e as Convertidas



«O melhor destino a dar ao antigo recolhimento é a criação de um centro cultural ligado às tradições bracarenses, trazendo à memória a proposta apresentada pelo Dr. Manuel Sá Fernandes».
«A constituição de um museu que retrate a riqueza do traje típico de Braga (..) e também no espólio do Mestre José Veiga, que se encontra atualmente em risco de se perder».
«Não faz qualquer sentido instalar serviços administrativos num edifício com esta valia».
«Braga precisa de uma escola de artes e ofícios (...) que não deixe morrer as suas tradições (...) a exemplo de Viana do Castelo, cidade que dá imenso valor à sua cultura».
Manuela Sá Fernandes

Ricardo Rio e as Convertidas



«A pousada da juventude fora do centro era uma excentricidade, que acabou aqui por ser reconhecida».
«Na discussão do futuro a dar ao edifício é importante ter em conta dois aspectos: a adaptabilidade dos projectos ao espaço e a sustentabilidade económica do mesmo».
«Neste momento não há recursos públicos para financiar projetos relativos à cultura (...) uma pousada da juventude ou uma valência social poderá ter mais garantias de financiamento». 
«Mais do que o mérito das propostas aqui apresentadas, é importante discutir a urgência da reabilitação deste imóvel». «Penso que é unânime a possibilidade de devolver a capela ao culto e à Igreja»

Hugo Pires e as Convertidas


«Estamos disponíveis para conversar e abdicarmos do projeto da Pousada da Juventude no convento de S. Francisco, em Real, para o instalarmos na Casa das Convertidas». «A Casa das Convertidas pode ser um espaço âncora, que permita que a avenida Central continue a ter vida própria». «Já foram feitos contactos no sentido do Ministério da Administração Interna entregar o edifício à autarquia». «As Convertidas podem acolher ainda uma residência temporária para investigadores da Universidade do Minho ou do Instituto Ibérico de Nanotecnologia».
PS: Hugo Pires manifestou também «disponibilidade» para integrar nesse projecto da nova pousada algumas das valências propostas pelo Grupo Gonçalo Sampaio.

Reconverter as Convertidas

Foi com casa cheia e muitas ideias que ontem à noite se realizou o primeiro debate da Associação Braga +, que decorreu na Casa dos Coimbras. Centrado no destino a dar ao recolhimento das Convertidas, o debate contou com intervenções do vereador Hugo Pires, do ex-governador civil José Araújo, de Manuela Sá Fernandes (do Grupo Gonçalo Sampaio) e de Carlos Aguiar Gomes (da Associação Famílias). Enquanto não publicamos as conclusões do debate, aqui fica uma pertinente reportagem da TV Minho.

Obrigado a todos os que quiseram participar e dar o seu contributo, inclusive os agentes políticos da nossa cidade que, de diversos quadrantes partidários, marcaram presença neste debate. Construir pontes pelo bem da nossa cidade é objectivo, desde já cumprido.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

5 razões para a Pousada da Juventude nas Convertidas

  1. Numa altura de "vacas magras" em termos de investimento público, poder-se-ia canalizar as verbas afectas a um projecto co-financiado para recuperar um edifício que ameaça degradar-se, em vez de apostar na reconversão de um antigo convento arruinado (S. Francisco de Real).
  2. A solução pousada de juventude é a que melhor se adaptaria à estrutura do edificado, dado que já está dividido em pequenos quartos, e tem alguns espaços comuns que poderiam perfeitamente sofrer uma adaptação reduzida. Portanto, seria uma solução que evitaria descaracterizar o edificado histórico.
  3. As Convertidas localizam-se no centro da cidade, no principal espaço urbano da cidade, e com facilidade de acesso à estação de Caminhos de Ferro e à Central de Camionagem, canais por onde habitualmente chegam os jovens. Real fica absolutamente fora de mão para quem chega de fora à cidade e não proporciona que os visitantes usufruam dos atractivos brácaros.
  4. O facto deste edifício ter sido um antigo recolhimento de ex-prostitutas e mulher "que se portavam mal" poderá auxiliar à criação de um imaginário que atraia os visitantes. E que tal passar uma noite num antigo "convento" que recolhia postitutas?
  5. A restituição deste espaço à fruição da cidade, com a provável construção de um auditório e o reaproveitamento da capela, eventualmente para fins museológicos ou religiosos, potenciaria a riqueza artística e a existência de mais uma valência cultural, bem no coração de Braga.

O penalti, o desastre e o vilão...

O jogo de ontem marcou mais um episódio triste na época futebolística do Sporting de Braga. Derrota por 2-0, ainda por cima alcançada nos minutos finais de uma partida bem disputada, mas com escassas oportunidades de golo. Poderia escolher muitas palavras para sintetizar a minha desilusão. Escolhi três: o penalti, o desastre e o vilão.

O penalti é inevitavelmente o lance que marca o desafio. Uma bola no braço a desviar um cruzamento de Alan, ainda durante a primeira parte, poderia ter alterado o rumo dos acontecimentos. O árbitro não viu, mas o fiscal de linha tinha que ter vislumbrado. Não entendo o silêncio de António Salvador em face de mais um lance a penalizar o Braga. Depois não se queixe de ser encostado ao Futebol Clube do Porto...

O desastre é inevitavelmente Leandro Salino. Poderia falar de Ruben Micael que, apesar de se arrastar em campo, continua a acumular jogos inteiros...mas falo do homem que ontem ofereceu o segundo golo ao Porto e que foi comprometendo ao longo de toda a partida, a produção da sua equipa, com perdas de bola infantis e graves falhas de marcação. Há muito que não justifica a presença no onze inicial - já não o justificava no ano passado... - mas há um homem no banco de suplentes que, ou é feito de teimosia, ou não percebe nada de futebol. Inclino-me para a segunda hipótese.
O vilão é o homem que se senta no banco. Já todos percebemos que não tem currículo e categoria para treinar um clube com as ambições actuais do Braga. Estamos a escassos dias de comprometer mais um dos objectivos desta época futebolística. Como o bom senso não impera, o homem vai sentar-se no banco, até agonizar de vez com qualquer aspiração do maior clube do Minho. Não entendo porque ainda não fez as malas. Aquela substituição de Micael por Djamal mostra a falta de ambição que reina naquela mente, da mesma forma que a inclusão do mesmo Micael no onze, encostando a "estrela" Mossoró à esquerda, não se entende. Numa altura em que o Braga precisava de um jogador veloz à frente, para arriscar a vitória, encostou a equipa para trás e sofreu dois golos! Não se trata de azar, mas de pura incompetência...

PS - Parabéns ao Douglão! Fez ontem uma exibição notável!

domingo, 25 de novembro de 2012

Ângulo Maior: vistas convertidas

© Rui Ferreira 2012

Cachecol ao pescoço...e lenço branco no bolso

Esta noite o Sporting de Braga vive um momento decisivo da sua época futebolística. À imagem do que aconteceu no ano passado, quando o maior clube do Minho recebeu o Porto na 26.ª jornada, os adeptos mobilizaram-se para mostrar à equipa que era possível pensar no título. O cordão humano realizado não chegou para os guerreiros vencerem esse desafio, mas ficou o sinal de unidade.
Este ano o confronto acontece mais cedo e pode ter contornos bem mais dramáticos com outro resultado que não seja a vitória.
Com uma irregularidade exibicional, más opções tácticas, substituições tardias e jogadores cuja presença no onze é muito questionável, José Peseiro concorre para ser um dos piores treinadores que já passaram por este clube. 
Como bracarense estarei lá a apoiar - como sempre estive - o meu clube que, independentemente de treinadores, jogadores ou dirigentes, conta comigo. Porém, esta noite só posso ser prudente. Levo um lenço branco no bolso, à espera do desfecho do encontro. É que sexta-feira temos Taça, também contra o Porto...

Quanto mais depressa Peseiro for embora, maior será a garantia de sucesso, disso não tenho dúvidas.
O que está a suceder não é nada mais do que já tínhamos vaticinado...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Reconverter as Convertidas

Recentemente classificada como Imóvel de Interesse Público, a Braga +  e a JovemCoop  irão promover no dia 27 de Novembro pelas 21 horas na Casa dos Coimbras um debate com vista a discutir "Qual o futuro para este monumento?". Contará como convidados Carlos Aguiar Gomes da Associação Famílias; Manuela Sá Fernandes do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio; José Araújo, ex- Governador Civil do Distrito de Braga; Rui Ferreira, da Associação Braga + e Hugo Pires, Vereador do Urbanismo da CMB. 
O debate, intitulado “Reconverter as Convertidas”, vai ser moderado por Ricardo Silva, coordenador da JovemCoop e fundador da Braga +, estando aberto à participação de todos os cidadãos interessados em discutir esta temática e propor alternativas.
Por + cidadania, + cultura e + património.

Hospital de Braga falido?

Desde que passou a ter uma gestão semi-privada, o Hospital de Braga tem sido notícia frequentes vezes pelas piores razões. Segundo a edição de hoje do Jornal de Negócios, o grupo José de Mello Saúde está a trabalhar com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte) no sentido de encontrar uma solução para equilibrar a situação económico-financeira do hospital de Braga. A entidade gestora está ainda a ponderar fazer um pedido de reequilíbrio financeiro ao Estado. Mas o ministro da Saúde já disse que não está aberto a renegociações.

Eis uma das razões porque a saúde não pode estar sujeita a modelos economicistas baseados no lucro, como é típico das gestões privadas. A saúde dos cidadãos é um dever universal do Estado!

PS - Se a função do Estado é garantir e promover o acesso aos bens essenciais de uma comunidade humana, então deve ser promotor de uma justa distribuição da riqueza. Quando se fala em cortes nas prestações sociais, eu pergunto: porque não se cortam as reformas milionárias (p.e. estabeçecer a pensão máxima em 2.500 euros), dado que o Estado não tem que sustentar luxos, mas garantir o básico? porque não cessam as reformas vitalícias da classe política, verdadeira imoralidade do Estado?

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Plano de Actividades da CMB para 2013 - parte 3

Uma das novidades do Plano de Actividades da autarquia é a re-inclusão da intenção de musealizar as ruínas romanas das Carvalhareiras, o Teatro romano, e ainda a estação arqueológica do monte de Santa Marta.
- Elaboração de proposta de estudo científico para a salvaguarda e valorização do Teatro Romano a realizar pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho;
- Elaboração de projeto de estudo de salvaguarda e valorização da “Estação Arqueológica de Santa Marta das Cortiças” a realizar pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho;
- Elaboração de plano de trabalhos de conservação e restauro das “Ruinas Romanas das Carvalheiras” e início da respectiva implementação;

Este "entra e sai" manifesta claramente que há pouca vontade de o concretizar. Sempre é melhor esbanjar 8 milhões na estrutura de umas piscinas olímpicas ou gastar 25 milhões em relvados sintécticos...
Aposto um jantar em como vamos chegar ao final de 2013 sem que tenha sido dado qualquer passo para iniciar o processo de musealização destes espaços.

Até quando bracarenses?