segunda-feira, 30 de abril de 2012

As estranhas obras do rio Este

Como já aqui havíamos comentado, as obras de renaturalização do rio Este têm ritmos, no mínimo, inusitados. As obras já se iniciaram há cerca de um ano, começando os trabalhos junto à avenida D. Frei Bartolomeu dos Mártires. De lá quase não saíram e não se vê quase nada feito. Até à ponte Pedrinha ainda faltam uns quilómetros.
Depois de um tempo de quase ou nenhuma actividade, eis que as máquinas surgem com toda a força umas centenas de metros abaixo, junto ao largo de S. João da Ponte. Mesmo a tempo de dar nas vistas nas festas de São João...
Depois da trapalhada que foi a atribuição do concurso público, gostava de ver alguém da oposição ou do pelouro que tutela estas obras a pronunciar-se sobre estes estranhos atrasos.

domingo, 29 de abril de 2012

Uma ponte entre duas "Bragas"

Para o filósofo Platão a humanidade estava inserida entre dois mundos distintos, o mundo das ideias e o mundo real, daquilo que vemos e ao qual estamos presos. Aquilo que ambicionamos é chegar ao mundo inteligível, onde tudo se pode contemplar na máxima perfeição. Até lá ficamos reduzidos à matéria, que nos corrompe e altera a percepção da realidade.
Uma metáfora interessante para comentar o frágil elo de ligação entre duas cidades muito distintas, o mesmo que observamos na foto acima exposta. Trata-se da passagem superior para peões estrategicamente colocada a ligar a rua Nova de Santa Cruz e a rua D. Pedro V.
A sua importância não deriva da sua valia artística ou das belas perspectivas que permite admirar do seu topo, mas da essencialidade da sua função. É por esta "ponte"que se faz a ligação fundamental entre a cidade dos estudantes, onde vive grande parte dos universitários que escolheram a UM para estudar, e o centro de Braga, onde estão os focos identitários desta tão fiel como antiga cidade.
Como outrora os rios marcavam a fronteira dos países ou regiões, com tudo o que isso implicava ao nível das expressões linguísticas, costumes e formas de vida, assim hoje a avenida Júlio Fragata, esse homem virtuoso e de grande visão, serve de limite para uma parte significativa dos bracarenses. Para lá os anfíteatros do saber, o cimento, os bares "cavernosos", o aperto urbanístico ou o pólo comercial mais importante de Braga. Para cá o acumular dos tempos, as iniciativas, o poder administrativo, os monumentos, a vida urbana essencial da capital do Minho.
O problema talvez tenha estado na concepção urbanística em torno da universidade e da falta de um elo firme, a convidar a passagem para o outro "mundo". A verdade é que esta passagem aérea é pouco mais que insignificante para quebrar o isolamento destas duas "Bragas".
Oxalá a renovação e transformação cultural da "Confiança" sirva de pólo regenerador para a Braga dos estudantes, porém isso não implica que não se deva pensar em formas de aproximar estes dois mundos. Braga só terá a ganhar com a quebra psicológica e física desta fronteira.

E que tal voltar a ligar estas duas ruas? Prolongar o túnel já existente e permitir o trânsito entre a rua Nova de Santa Cruz e a rua D. Pedro V? E que tal facilitar a deslocação dos bares para uma zona mais próxima do centro da cidade? E que tal organizar concertos de renome, iniciativas e atividades - pensadas em conjunto com as associações universitáris - no centro? E que tal deslocalizar alguns cursos para os edifícios que a UM detém no centro histórico?  

sábado, 28 de abril de 2012

Arquivo Distrital de Braga: uma solução

O município de Braga é dos poucos em Portugal que se pode gabar de não ter a seu cargo a gestão de Bibliotecas Municipais ou de um Arquivo Distrital. Sobra, então, mais disponibilidade financeira para investir na cultura...
A Universidade do Minho goza também do prestígio de deter a administração da Biblioteca Pública de Braga - em dois pólos - e do acervo valiosíssimo do Arquivo Distrital de Braga. Um factor de prestígio, segundo dizem. Para os leitores e utentes seguramente que não é. O sistema de requisição e a sala de leitura fazem lembrar esquemas do século XIX, que em nada incrementam a sua frequência.
Todavia, a falta de disponibilidade financeira e de recursos humanos para a gestão destas bibliotecas tem-se revelado penalizadora para esta instituição bracarense. As condições de conservação do acervo não são as desejáveis e o trabalho de inventariação e catalogação encontra-se praticamente parado. Para além disso, há diversas salas absolutamente lotadas de documentação e outras que sofrem de infiltrações. O risco de incêndio é evidente.
Recentemente o Reitor anunciou um investimento de 10 milhões de euros para a renovação do Arquivo Distrital, montante que não servirá para resolver um dos principais problemas: a falta de recursos humanos.
Ora, perante esta situação há duas soluções evidentes:
  1. Entregar a gestão da BPB e do Arquivo Distrital à autarquia, que é quem tem o dever de o assumir
  2. Tornar estas instituições numa prioridade da Universidade, promovendo publicações do seu acervo, a correcta inventariação e os recursos humanos devidos.
Ninguém ainda se lembrou de abrir um curso superior para arquivistas e bibliotecários e implementar um regime de estágios nas instituições geridas pela própria universidade? Solução barata e eficaz, dado que os estudantes teriam à sua disposição uma das maiores bibliotecas deste país. Para quê querer gerir bibliotecas quando não se está interessado em desempenhar bem essa missão?

Magistrado provoca "revolução" na justiça

Trata-se de uma decisão inédita da justiça portuguesa e já está a causar polémica. Um magistrado do tribunal de Portalegre decidiu que, em caso de incumprimento, a entrega da casa ao banco liquida toda a dívida.
Trata-se de uma decisão que coloca o incumprimento da dívida não apenas do lado de quem pede emprestado, mas do lado de quem empresta. Até hoje os bancos exigem o pagamento integral das dívidas contraídas e, mesmo a entrega dos bens não se revela suficiente. As famílias sobre endividadas aumentam, perante uma justiça que protege sempre as entidades bancárias.
Quem empresta não terá também responsabilidade sobre o seu acto? Não é um risco emprestar? Não devemos seleccionar criteriosamente a quem esprestamos, e perceber a sua capacidade para saldar a dívida? Onde está a ética da responsabilidade? Apenas do lado de quem pede emprestado?

Mesmo sabendo que o tipo de contratos disponibilizados pelas entidades bancárias apenas coloca o risco de incumprimento do lado de quem pede emprestado, urge um regime legal que proteja os consumidores e não apenas as entidades bancárias, altamente protegidas. Este tipo de contratos deveria ser ilegal... Que esta decisão inédita sirva de reflexão para os nossos deputados, que têm como função legislar, e para a própria justiça portuguesa, pouco rotinada na protecção dos mais frágeis da sociedade.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ideias para Braga: corredor azul da UM ao centro

Todos sabemos que a vida académica bracarense se limita, muitas vezes, às zonas residenciais em torno do Campus universitário de Gualtar. Lá os edifícios sucedem-se, uns sobre os outros, e a avenida Júlio Fragata funciona quase como um rio que separa os estudantes do centro cívico de Braga.
Seria de grande valia para Braga, que os universitários circulassem mais pelo centro histórico, participando nos eventos aí promovidos e dinamizando a vida nocturna além Gualtar.
Ora, e se fosse criado um corredor azul - a cor da cidade - aproveitando uma das calçadas das ruas Nova de Santa Cruz, D. Pedro V, S. Victor e largo da Senhora-a-Branca? Um das calçadas totalmente azul, pintalgada com diversos tipos de informações a letras brancas? Ícones dos monumentos, direção para alguns bares, pequenos dados históricos, desenhos caricaturados dos principais locais da cidade?
Seria uma forma criativa de atrair os passos dos estudantes, fazendo-os sair daquela densa massa de betão onde habitam.

Ângulo Maior: Belezas Convertidas

Recolhimento de Santa Maria Madalena das Convertidas, 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Braga CEJ por todo o lado!

A cidade de Braga é a capital europeia da juventude no ano de 2012. É certo que muitos bracarenses parecem pouco entusiasmados, pois se calhar esperariam grandes concertos, acontecimentos para multidões e artistas de renome a visitar Braga. A verdade é que não é isso que vai suceder. Primeiro, o orçamento é modesto e seguramente não é isso o mais importante. Segundo, o objectivo deste evento não é esse, é bastante mais abrangente. Terceiro, o programa oferece seguramente muito mais que capas para os jornais.

Para os bracarenses mais atentos, a Braga CEJ tem proporcionado oportunidades únicas e variadas para os mais jovens. Concertos, teatro de rua, dança, jazz, história e património, natureza e arte contemporânea, conferências potenciadoras de empreendedorismo. Tudo feito com mão-de-obra da casa, gente desta cidade, jovens que têm a sua oportunidade para demonstrar talentos e qualidades. Não é isso o mais importante? O que acrescentaria um concerto de Pearl Jam aos jovens bracarenses?

Nos últimos dias gostei de ver cartazes com o programa de Abril por todo o lado. No recanto mais inesperado, a Braga CEJ mostra-se presente. Desde o Parque da Ponte, até Nogueiró. Desta forma, ninguém se pode queixar de falta de informação ou divulgação.

Em 2012 todos somos Braga!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Celebrar uma democracia em mudança

Democracia é uma palavra que deriva do grego (demos + cratos), que significa, de forma simplista, o poder do povo. Se fizermos uma leitura global da história dos povos poderemos perceber uma significativa evolução dos conceitos de poder. Primeiro esteve nas mãos da nobreza, uma elite responsável pela construção das nações, que assumiu o protagonismo do poder diante de outras classes, muitas vezes subjugadas aos seus caprichos. Seguidamente surge a burguesia, nomeadamente a partir do ímpeto revolucionário francês e da evoluída sociedade dos Estados Unidos. Após um período de domínio ditatorial, que conduziu a guerras violentas e a nacionalismos exacerbados, surge o ideal democrático nos países ocidentais. Criaram-se partidos políticos de acesso universal, centrados em projectos e ideais muito claros.
Em Portugal a democracia viu a luz há precisamente 38 anos. Desde aí muito se alterou. Os partidos cada vez parecem mais circunscritos a elites familiares e a grupos de interesses. Muitos cidadãos, eivados de vontade de intervir na sociedade, esbarram em círculos fechados e, desiludidos, colocam-se à parte. O abstencionismo cresce, perante os sinais exteriores de riqueza de alguns políticos, que antes da sua intervenção pública eram pouco mais que remediados. Muitos políticos, detentores de cargos públicos, agem perante o erário público, perante o que é propriedade de todos os cidadãos de um país ou autarquia, como se fossem 'donos' dos respectivos pelouros. Muitos não ouvem os apelos dos cidadãos, exultando de arrogância e insensibilidade.
Porém, os cidadãos parecem forçar a uma nova era democrática. Fartos dos vícios dos partidos, começam a gerar movimentos cívicos, que levam a cabo acções de esclarecimento, manifestações e exigem, junto dos poderes públicos, o que entendem ser construtivo. Os partidos, porém, parecem continuar apáticos perante esta mudança efectiva de postura de muitos cidadãos. Quanto maior for a arrogância ou o distanciamento dos partidos políticos dos respectivos cidadãos, maior vigor terá a cidadania. Os partidos têm inevitavelmente que se abrir à sociedade...
Em Braga observamos intervenções em espaços públicos, partindo de projectos elaborados sem escutar os cidadãos que habitualmente deles usufruem, que têm provocado inúmeras manifestações cívicas. Os membros das associações do Parque da Ponte protestam com cartas nos jornais pelo regresso das pedras patrimoniais, ou pela existência de mobiliário urbano que permita que as pessoas o frequentem.
Os moradores da Senhora-a-Branca também reclamaram alterações ao projecto inicial. Neste caso, a autarquia acabou por ceder em alguns pontos, todavia isto seria evitável se uma discussão pública tivesse antecedido o processo. Não falemos, então, da renovação do Campo da Vinha em 1995...
Hoje, a Câmara Municipal já não pode fazer o que quer sem que os cidadãos se manifestem. Que atrevidos, estes cidadãos? Já não se pode ser político e fazer o que se bem entende dos espaços que são de todos!

Despejados do edifício da Escola da Fontinha, um grupo de portuenses foi severamente agredido por ousar manifestar-se contra a arrogância costumada do seu presidente da Câmara. Um grupo de bracarenses, em solidariedade com os congéneres portuenses, decidiu tornar pública a luta deste grupo de cidadãos.
Mais do que uma atitude populista, trata-se de um sinal da vitalidade democrática. Venham mais, venham mais, porque o povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Minho Maior: marcha pela liberdade no Gerês

O tema recua a outubro de 2009, mas parece não ter terminado. Com o mote "A natureza é de todos", amanhã, dia 25 de Abril, haverá uma manifestação pela liberdade de usufruir de zonas reservadas do Parque Nacional Peneda-Gerês, onde voltaram a ser exigidos 152 euros para caminhadas.
Não se trata apenas de uma questão de liberdade de usufruto de um património natural que pertence a todos, principalmente às populações que habitam na área abrangida pelo Parque, mas é uma violação da justiça social. Quem disponibilizar com facilidade 152 euros poderá usufruir, sempre que entender (sem que isso lhe pese na carteira) dessas mesmas áreas. A maioria dos portugueses, estou certo, não está nessa situação. Portanto, quem for rico ou viver faustosamente na classe média alta, vai poder beneficiar de um recurso que pertence a todos.

Várias vezes me questiono como é possível que o valor de coimas seja igual para todos. Pagar 200 euros numa multa por excesso de velocidade não tem o mesmo peso para um contribuinte que aufere 500 euros mensais ou para um contribuinte que recebe 15 mil euros num mês. Quem ganha mais, pode prevaricar várias vezes, pois o valor da coima quase não faz diferença no final do mês...
Não deveriam as coimas ter o mesmo peso para quem as pratica? Não deveriam ser pagas conforme o rendimento? Será a justiça cega?
Para quando um verdadeiro regime de justiça social?

Braga e Paris: estudo comparativo

Nos finais do século XIX, altura em Braga era considerada a terceira capital do reyno, os políticos bracarenses pretenderam transformar a capital do Minho na segunda Paris. Camilo Castelo Branco, o escritor da alma minhota, pegou nesta deixa e explorou-a até à exaustão em jeito de paródia.
O facto é que Braga foi das primeiras cidades portuguesas a beneficiar de um sistema de transportes públicos, a ter um theatro de grandes dimensões (até hoje um dos maiores do país), e a ser abastecida de elctricidade. Porém, há o reverso da medalha. De forma a alargar ruas e construir avenidas, foram destruídas ruas de traçado e casaria medieval, aniquilado o castelo, bem como as diversas portas da muralha medieval, desfizeram-se conventos, capelas e cruzeiros, tudo em nome do progresso.
Como seria hoje Braga se essa sede de progresso não significasse aniquilar património?

Ora aí está uma questão actual, que nos recoloca na comparação com Paris, a capital de um país que parou para reflectir, deu um sinal de vitalidade democrática (80% de participação nas eleições) e parece querer virar de registo político. Os franceses parecem estar cansados de um líder arrogante, populista e que sofre de um grave défice democrático.

Braga também parece estar em reflexão. Parada. A aguardar uma viragem que, mais do que inevitável, parece mesmo ser necessária.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Os bracarenses e o património

A Braga CEJ e a JovemCoop, essa parceria de sucesso, promoveram mais um roteiro temático sobre o barroco bracarense. Desta vez centrado nas obras patrocinadas por D. Rodrigo de Moura Telles, Arcebispo de Braga entre 1704-1728.
A elevada adesão e interesse dos bracarenses atesta o quanto desejam preservar e valorizar o seu património.

Um vídeo da autoria de Rui Pinheiro.

A arte de distorcer a realidade

Os mesmos órgãos de comunicação que durante o dia de sábado apregoaram que o Sporting de Braga estava definitivamente afastado da luta pelo título (em virtude dos 7 pontos de atraso para o líder da classificação), hoje dizem que o 3.º lugar está seriamente ameaçado pelos (apenas!) 6 pontos de vantagem sobre o Sporting de Lisboa.

A diferença de leituras da realidade, sempre em menosprezo do maior clube do Minho, fere a verdade e a coerência que é pedida à comunicação social. A prova de que o centralismo e a clubite são um motor das desigualdades e das injustiças da sociedade portuguesa. Até quando?

domingo, 22 de abril de 2012

Os 4 lampiões que tolheram o sonho!

Não se trata de um ataque aos adeptos benfiquistas, que legitimamente apoiam o seu clube e acreditam que a sua equipa é melhor que todas as outras, trata-se de demonstrar - com recurso a factos evidentes - porque é que os bracarenses e braguistas têm direito a uma também evidente indignação.
Em Portugal há 3 equipas que foram dividindo entre si os títulos relativos ao futebol português. Têm uma implantação popular que mais nenhum clube consegue alcançar, porém isso acaba por 'matar' a possibilidade de outros clubes também atingirem esse patamar.
A força que têm junto da comunicação social, que sofre de clubite evidente, a influência junto dos cargos dirigentes do futebol e o facto de uma parte dos árbitros se pintar da cor desses três clubes, acaba por condicionar violentamente a verdade das competições. O que aconteceu há dois anos, descaradamente, com suspensões de jogadores em favor da vitória final de um clube é reflexo de uma realidade. Aos bracarenses resta continuar a lutar e a crescer.
Esta semana, numa estrada do Minho profundo, saboreei  a alegria de ver uma bandeira do Sporting de Braga bem erguida. Isto a juntar aos sócios a adeptos que se deslocam de Ponte do Lima, Monção, Taipas ou Esposende, só para apoiar o Braga, confirma que esta bandeira está a crescer e já não é apenas de uma cidade, mas vai cobrindo uma região. É um sinal de que vale a pena lutar! Salvador não desistas... O dia da glória está perto!
Resta-nos estes 'ses', legítimos e justificados, relativos aos 4 lampiões que nos tolheram o sonho. Como seria este campeonato...
  • Se Bruno César não tivesse a inspiração de marcar aquele grande golo ao Braga mesmo no final da partida?
  • Se o árbitro João Ferreira tivesse marcado o penalti claro de Javi Garcia sobre Lima ao minuto 74, quando o jogo estava 0-0?
  • Se o árbitro Olegário Benquerença tivesse expulso o jogador do Porto Derfour ao minuto 45', numa altura em que o jogo Braga-Porto estava 0-0?
  • Se o árbitro Duarte Gomes não tivesse inventado uma expulsão de um jogador do Braga ao minuto 21  no jogo com o Paços de Ferreira e tivesse visto um penalti ao minuto 54 ( e se o seu fiscal de linha não tivesse inventado tantas faltas e foras de jogo quando o Braga procurava a vitória)?

sábado, 21 de abril de 2012

No tempo de D. Rodrigo de Moura Telles


Quem não se deparou já com um exemplar do brasão de D. Rodrigo de Moura Telles, tão omnipresente nos principais monumentos da cidade? As suas armas de fé, com os sete castelos do brasão da família “Moura” e com a esfera armilar ou a cruz de Cristo, são as mais divulgadas entre os arcebispos que já se sentaram na cátedra primacial bracarense.
D. Rodrigo de Moura Telles, como o nome atesta, pertencia à alta nobreza lusitana, sendo os seus pais os senhores de Alcácer do Sal. Nasceu no ano de 1644. Doutorou-se em Cânones na Universidade de Coimbra em 1667, tendo em seguida ido para Évora, sendo Tesoureiro-Mor da Sé. Em 1676 vai para Lisboa, onde assume o cargo de Deputado da Mesa da Consciência e Ordens, sendo mais tarde sumilher da Cortina ou Reposteiro mor do Reino (deveria desviar as cortinas para o Rei passar), passando a residir na corte. Em 1690 é nomeado Reitor da Universidade de Coimbra, lugar que vai ocupar até 1694, quando é nomeado Bispo da Guarda.
Em 1703 é confirmado como Arcebispo Primaz pelo Papa Clemente XI. A 10 de Dezembro de 1704 entra solenemente na cidade de Braga.
A sua primeira preocupação foi conhecer o Arcebispado, pelo que iniciou uma série de visitas às localidades que constituíam o território bracarense. No ano de 1707 vai publicar uma Nota Pastoral na qual apela à dignidade das celebrações litúrgicas e à disciplina do clero. Foi um impulsionador da devoção aos santos e às relíquias, dando uma particular atenção aos usos litúrgicos. Devido a isto, e à sua acção impressa mais claramente na cidade de Braga, vai influenciar o adorno dos templos com retábulos ao gosto barroco, bem como a existência de imagens e alfaias litúrgicas artisticamente executadas. As sacristias, como lugares onde são antecedidas as celebrações, vão adquirir grande protagonismo. A vida religiosa, com a fundação de mosteiros e conventos, vai receber um grande impulso, bem como a existência de actos devocionais públicos ou procissões, na sequência da fundação massiva de confrarias e irmandades. D. Rodrigo de Moura Telles vai patrocinar a fundação de alguns conventos e capelas, como a Penha de França, na avenida Central, ou o Convento de S. Francisco, em Real, cuja reedificação vai fomentar. Sobra ainda as capelas de Guadalupe, Carvalheiras e Falperra.
Vai legar a Braga a tradição do Lausperene Quaresmal, que ainda hoje subsiste, e que foi instituída em 1710. Os templos da cidade construíram grandes tribunas para a exposição do Santíssimo Sacramento, e muitas alteraram sobremaneira a sua morfologia.
D. Rodrigo de Moura Telles era um autêntico homem da Igreja e isso reflectiu-se na forma como viveu a sua missão de pastor e a influência que teve na vivacidade cristã das terras que administrava. Braga, por esta altura, respirava fé.
Apesar da sua pequena estatura, cerca de 1,20 cm, D. Rodrigo sempre se revelou um homem de ideias grandes e forte intervenção. A maior das suas ideias é o engrandecimento do santuário do Bom Jesus do Monte, afirmando-se como o seu refundador e dando mostras da sua pertinácia e criatividade (vai afastar a mesa da Confraria em 1722 e ele próprio assume esse papel). Pode ter estado também na origem do complexo de abastecimento de águas das Sete Fontes.
Homem de oração, ficou conhecido como amigo dos pobres e desamparados, tendo preocupações caritativas atestadas pelo facto de se assumir como Provedor da Misericórdia bracarense. A fundação do Recolhimento das Convertidas, que acolhia mulheres de “má conduta” que queriam converter-se, é uma das marcas mais significativas da sua acção e da sua luta pela moralidade.
O seu artista de eleição foi Manuel Pinto Villalobos, o engenheiro militar vianense que vai traçar grande parte das suas obras. O entalhador Marceliano de Araújo vai receber também um impulso significativo por este tempo.
D. Rodrigo de Moura Telles vem a falecer a 4 de Setembro de 1728, com 84 anos de idade. Como prova da sua humildade, pediu um funeral simples, sem pompas ou grandes exéquias.
Braga ainda não soube homenagear aquele que foi o seu arcebispo mais célebre depois de D. Diogo de Sousa.

Benfica tira dois pontos ao Braga

O Sporting de Braga empatou ontem com o Benfica a uma bola, num jogo bem disputado entre as duas equipas, até ao lance genial de Duarte Gomes, esse grande benfiquista, a expulsar o jogador Vinicius aos 21 minutos da 1.ª parte. Duas faltas, dois cartões, deram a primeira expulsão da época a um jogador do Sporting de Braga na Liga principal de futebol.
Na 2.ª parte, numa altura em que o Sporting de Braga carregava sobre o adversário e já em vantagem numérica, após duas expulsões adversárias, foram surgindo uma sucessão de foras de jogo e faltas muito teatrais, mesmo a propósito para acalmar o ímpeto dos jogadores do Braga.
Nuno Gomes marca o golo do empate, e atesta que muitos mais minutos deveria ter jogado esta época. Alan falhou escandalosamente o golo da vitória, com a baliza aberta ao minuto 89.
Um grande resultado para o Benfica, que comprova a qualidade incomensurável dos seus intérpretes, num jogo disputado em Paços de Ferreira, no estádio da Mata Real.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Braga por um canudo outra vez

Braga é uma das cidades portuguesas a beneficiar de mais epítetos e designações. Sinónimo, talvez, da sua peculiaridade e da sua identidade tão provinda do povo. Braga tem piada. Se as cidades fossem pessoas, Braga era a extrovertida do grupo português, a atrevida e adivinhadeira, bem parecida com o coração minhoto que carrega ao peito.
Entre os ditos, desde os que fazem alusão à "velhice" da Catedral, até às portas que sempre se deixam abertas em gesto acolhedor, Braga deixa entrever por um canudo, aquele do Bom Jesus, aquele que há tempos foi desaparecendo da nossa vista. Ele vai estar de volta no verão, assim garante a Confraria, e Braga vai poder ser vista por um canudo outra vez e fazer jus a um dos cognomes que a apelida.

Ângulo Maior: Um Anjo contempla o céu...

A fachada da igreja de S. Vicente, dizem, é o primeiro ensaio do barroco em Braga. Na extremidade do frontal dois anjos contemplam o céu. O que estarão a questionar? Que pensamentos lhe passarão pela cabeça?
"Senhor, Senhor, alumia o entendimento dos bracarenses, dá-lhes luz e conhecimento sobre o que fazem com que é deles!"
A Assembleia Municipal desta noite não deve estar distante do seu desabafo!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

As respostas que RR não deu...

O candidato da coligação Juntos Por Braga, Ricardo Rio, deu ontem uma entrevista à TV Minho, durante a qual foi questionado relativamente a temas relevantes da vida autárquica bracarense.

Há duas questões que ficaram, a meu ver, distantes de uma resposta satisfatória: os efeitos da reforma administrativa no município de Braga e as fragilidades do projecto da Regeneração Urbana.

Ricardo Rio foi politicamente correcto na questão da extinção das freguesias, mas acaba por abrir o flanco para Vítor Sousa atacar.
Ricardo Rio afirmou que: "Eu pessoalmente acho que a reforma deve ser vista numa óptica integrada. Avançou-se e há um compromisso inevitável. Não vale a pena fazer medidas delatórias. Tenho pena que não tenha havido um maior nível de discussão nesta matéria. Perante esta realidade ninguém se pode demitir da respectiva colaboração. O envolvimento da Assembleia Municipal pode minorar os aspectos negativos desta reforma". Ou seja, curva-se perante a inevitabilidade desta reforma e apela às competências da autarquia neste processo.
Porém, os habitantes das freguesias a extinguir, as suas associações, os seus anseios e a sua identidade, não vão ser convencidos por estas palavras. Daqui surge um dado que pode ser decisivo nas próximas autárquicas... Não haverá outra forma de reagir a esta questão?

O outro aspecto pouco desenvolvido por Ricardo Rio foi a crítica ao projecto de Regeneração urbana. Esperava sinceramente um pouco mais...
Como bracarense espero que alguém se lembre que valorizar o património, não é apenas ter em conta o aspecto estético e o património construído. Valorizar o património, que segundo Vítor Sousa é a prioridade destes projectos, significa respeitar os elementos históricos dos locais (Cf. os candeeiros do Largo Carlos Amarante, as reliquias de monumentos desaparecidos do Parque da Ponte, as laranjeiras da Senhora-a-Branca, os vestígios arqueológicos da rua de S. Vicente...)!

Os bracarenses que olham o patrimíonio como uma prioridade esperam que alguém faça ouvir os seus anseios e desilusões, com clareza e determinação. Se não for o Ricardo Rio, quem o poderá fazer neste momento?


Evento Maior: Percursos Barrocos II

Este sábado, pela manhã, vamos descobrir as obras encomendadas e patrocinadas por esse grande Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Telles. Começamos pela sua marca no tecido urbano, e no próximo dia 5 de maio iremos visitar duas obras que têm nele o maior benemérito: Bom Jesus do Monte e Falperra.
Trata-se de mais uma personalidade, da maior valia para a história de Braga, que ainda está longe de ter sido devidamente homenageada convenientemente.
Mais uma organização Braga CEJ e Jovem Coop.

As inscrições podem ser feitas aqui.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Braga Menor: o passado e o presente

Os candeeiros do Largo Carlos Amarante estão prestes a desaparecer. Tal como há uns anos os candeeiros do Campo Novo (que a autarquia garantiu que voltavam...), veremos desaparecer mais um pedaço do património da nossa cidade.
Não seria possível conciliar estes elementos do passado com as regenerações do presente? Como é que se diz que se vai valorizar a cultura e o património e depois permitimos o corromper dos elementos do passado?

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A reforma anti-democrática

Sexta-feira 13 foi um dia aziago para a democracia portuguesa. O PSD e o CDS-PP aprovaram a lei que vai reger a nova reforma administrativa, que contempla a redução abrupta do número de freguesias.
Tratar o Minho ou o Alentejo a partir dos mesmos critérios, mesmo sabendo as diferenças culturais, territoriais e sociológicas é um erro primário, que vai penalizar muitas comunidades.

Os senhores "lisboetas", que traçaram esta reforma no seu gabinete ministerial, apenas tendo em linha de conta critérios altamente subjectivos, vão influenciar negativamente o futuro de muitas comunidades, que se vão ver enfraquecidas e podem mesmo desaparecer. Bem sabemos como as Juntas de Freguesia representavam um suporte significativo de iniciativas, associações e de dinamização cultural e recreativa de muitos lugares, evitando quer a perda de identidade desses lugares, quer a "fuga" de muitos habitantes para contextos mais urbanos.
É certo que muitos municípios necessitam de ajustes, dada a diferente natureza dos territórios. No caso de Braga poderíamos fazer alguns. Todavia, estes critério limitam qualquer princípio de racionalidade relativamente a possíveis alterações.

Esta lei é um trunfo fortíssimo que Vítor Sousa poderá conjugar a seu favor nas próximas autárquicas. O município de Braga vai sofrer bastante com o facto de estar colocado nos critérios dos municípios mais populosos do país.
Relativamente a Ricardo Rio, se continuar em silêncio, ou sem manifestar uma posição clara, a respeito desta questão, poderá pagar um preço elevado quando chegar às urnas e ver o seu sonho adiado...para sempre.

Quanto ao ministro Relvas, um dia haverá de aprender que a humildade é uma das maiores virtudes de um político e que a arrogância acaba sempre por engolir aqueles que com ela geram intimidade...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

BragaToon: Corrida de Fundo 2013


Evento Maior: Dia Municipal do Músico

É verdade! Amanhã é um dia grande para a Capital Europeia da Juventude. Uma série de concertos e iniciativas vão preencher as ruas da cidade e festejar o Dia Municipal do Músico.
Um dia alguém me disse que a Braga CEJ não tem que organizar eventos para multidões para ser avaliada positivamente, ou para dar nas vistas dos mais críticos. Quem tiver o cuidado de consultar o programa, vai poder ver inúmeros eventos a acontecerem, para todos os gostos, desde o património à natureza, da música à formação, arte e discussão. O essencial é cada bracarense saber aproveitar aquilo que mais interesse lhe suscita.
Estou rendido à equipa da Braga CEJ (pelo menos àqueles que conheço...), e à capacidade e esforço de rentabilizar os parcos recursos de que dispõe.
Parabéns! E que o dia de amanhã seja mais um sucesso!

Confiança e Cidadania

Já são conhecidos os quatro trabalhos selecionados pelo Júri do “Concurso de Ideias” para o Edifício da antiga Fábrica Confiança. As propostas vencedoras foram "A Fábrica - Cultura Inteligente", de Ana Margarida Fernandes de Oliveira e Filipa Alexandra dois Santos Reis; "O Centro da Ciência e da Cultura de Braga", da ORION -Sociedade Científica de Astronomia do Minho; " O Espaço de Obra", de Rui Pedro da Costa Rodrigues, Miguel Guedes de Carvalho, Raúl M. e Leoardo P. Rodrigues Guedes de Carvalho; e ainda "Reabilitação do Edifício da Fábrica Confiança", de Machado e Braga Macedo, arquitetos, Lda.

Foram ao todo 77 propostas apresentadas, cujo conteúdo será exposto a partir de julho no Museu D. Diogo de Sousa. Trata-se de um sinal muito positivo do interesse crescente dos cidadãos bracarenses pelas decisões que envolvem o futuro da cidade. 
Uma autarquia, como qualquer gestora do bem comum e do erário público, deveria ser um elemento impulsionador da participação dos cidadãos. A Confiança é um sinal de uma nova Braga que os bracarenses anseiam e buscam. Esperemos que iniciativas destas, que visam a cidadania e participação, sejam repetidas no futuro.
Como é possível intervir num espaço público sem escutar antes os cidadãos que habitualmente usufruem do espaço? O que aconteceu no parque da Ponte - quase sem mobiliário urbano para que as pessoas estejam lá (bancos com encosto???), e de onde foram retirados elementos patrimoniais - é um exemplo de um lugar esteticamente belo, mas com pouca funcionalidade... O topo da avenida da Liberdade é outro exemplo. E outros se seguirão, caso os cidadão continuem a ser dispensáveis no pensamento e execução da urbanidade.

Ângulo Maior: Braga vista do Parque da Ponte

Colégio de S. Paulo e Torre de Santiago, Parque da Ponte 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Bom Jesus, Património da Humanidade

No próximo dia 19 de abril, vão ser apresentados os estudos prévios da candidatura do santuário do Bom Jesus do Monte a Património da Humanidade pela UNESCO. Um passo determinante num processo cujo sucesso ninguém duvida.
O Bom Jesus é seguramente um dos locais mais belos do nosso país, onde a arte e a natureza assumem uma harmonia mui elogiada e reconhecida.
É um orgulho ser bracarense!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Barbearia Matos chegou ao fim...

«Era a mais antiga barbearia da cidade mas uma ordem do tribunal encerrou-a de vez.
Foi esta manhã, pouco passava das 10H, quando funcionários do tribunal e dois polícias obrigaram ao encerramento da Barbearia Matos, situada na Rua do Souto. O proprietário, Manuel Matos, tem até ao final do mês para desocupar totalmente o imóvel.
Ouvido esta tarde pela Universitária, diz que acabou por ganhar o poder monetário neste processo, já que "depois da luta de uma década, venceu a parte monetária, e aqui mais uma vez o património de Braga se tornou mais triste!.
E a Câmara Municipal tem culpas em todos este processo, porque, admite o proprietário, não fez mais pela preservação deste património "porque não quis. São os únicos responsáveis deste espaço ter acabado". A barbearia foi classificada de interesse municipal pela Assembleia Municipal (AM). Manuel Matos não percebe para que serve afina a AM, considerando que para isso "mais vale fecharem a porta e irem embora, pois ficam caros ao país. E quem "fica a perder nem é o funcionário. É a própria cidade", admitiu Manuel Matos.
Também Domingos Macedo Barbosa, presidente da Associaçao Comercial de Braga (ACB), lamenta o fecho desta barbearia centenária e diz que "é mais uma perda cultural para a cidade".» 
In RUM
No dia em que Braga souber dar valor ao seu património, isto não vai acontecer. 
Sonho com esse dia e ele há-de chegar.
Por alguma razão somos um dos municípios com menos imóveis de interesse municipal (apenas 1!).

Finalmente um parque...

O dia de amanhã poderá ser histórico para Braga. O parque urbano do Monte Picoto vai mesmo avançar.
Um século após o lançamento do único parque da cidade e após 12 mil 957 dias como presidente da Câmara de Braga, Mesquita Machado vai lançar um parque urbano. Mesmo depois da área urbano ter quadriplicado e da população da cidade ter quase triplicado, Braga continuou a aguardar por um novo parque urbano.
O local é absolutamente propício para servir de pulmão da cidade e a sua regeneração vai servir como pólo de reabilitação urbana para as zonas envolventes. Qualquer bracarense deve ficar satisfeito com esta notícia, apesar dos atrasos e eventuais questionamentos sempre legítimos em torno do valor de adjudicação e de outras zonas de actuação prioritárias.

Vai demorar cerca de um ano a realizar a sua primeira fase de edificação e vem mesmo a propósito, nas vésperas de eleições autárquicas...o que não "limpa" a falta de sensibilidade demonstrada neste âmbito ao longo das últimas décadas.

Segue-se as Sete Fontes???

Confiança mais cara

A aquisição dos terrenos e antiga Saboaria e Perfumaria Confiança, por via da expropriação, vão ficar significativamente mais dispendiosos do que a proposta inicial. Segundo o Diário do Minho, serão 3,67 milhões de euros, mais 170 mil euros que a proposta inicialmente efectuada pela autarquia.

Perante isto, os senhores deputados do Bloco de Esquerda e da CDU são chamados a pronunciar-se. Defendiam a valorização e utilização do imóvel para fins culturais, mas queriam uma expropriação para que o preço fosse mais justo. Afinal vai sair mais caro à autarquia. Responsabilidade política?

O essencial, parece-me, é que este processo avance mesmo, para o bem de Braga e do seu património.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Aparcado no lugar errado!

A Câmara Municipal de Braga prepara-se para aprovar um negócio muito duvidoso no que concerne aos interesses dos cidadãos. Os parcómetros vão ser concessionados a um privado, com tudo o que isso pode implicar a nível de tarifas e da liberdade da própria autarquia para defender os cidadãos.
Estou certo que Mesquita Machado não avança para este concurso público sem ter já garantias de potenciais interessados. Ontem o lider da oposição falou, mas hoje quase se não comenta o assunto.
O que se passa Braga? Toca a acordar! Daqui a uns anos vão andar a lamentar-se e a autarquia nada vai poder fazer...
Há um ano atrás, Ricardo Rio alertou os bracarenses para esta possibilidade, ao que Mesquita respondeu que era um "devaneio" da oposição.

Caro Ricardo Rio, o que está aqui em causa não é tão pouco a antecipação de receitas, que vai ferir as receitas ordinárias dos exercícios autárquicos nos próximos anos. Nem está em causa se este caso pode ou não trazer-lhe benefícios eleitorais, mais descontentes e mais votos na Coligação. O que está em causa são os comerciantes do centro histórico, que certamente irão perder clientes; é o bolso dos bracarenses, sujeito agora aos desmandos tarifários de interesses económicos de um privado; é a liberdade da autarquia dispor como bem entende do espaço público, agora concessionado...
Faça "barulho". Chame jornais e televisões. Não tenha receio do mediatismo. Faça-o pelo futuro dos bracarenses (não necessariamente pelo seu), para que saibam o tipo de decisões que os actuais políticos permitem e patrocinam. Negócios como este não se podem limitar a escassas linhas no Diário do Minho.
Acima de tudo, é necessário denunciar mentiras, como a do fantástico parque que viria susbtituir a Bracalândia, o parque verde das Sete Fontes ou de Guadalupe, a Piscina Olímpica, o parque urbano da Zona Norte e outras tantas que são ditas quando convém acalmar a opinião pública, e depois propositadamente são esquecidas.

E os militantes do PS? Ninguém vê o que se passa? Ninguém reclama? São acéfalos? Submissos?
E o Sr. Vítor Sousa? Onde está o seu compromisso com os bracarenses? Perante este negócio cala-se? Vota a favor?

Há alguém aparcado no lugar errado há algum tempo, alguém que não percebeu que o seu tempo já passou, e que os seus méritos não chegam para apagar tanta dúvida que brota de algumas decisões...

JovemCoop para dar lições a Mesquita

Os leitores do Braga Maior votaram e escolheram a JovemCoop como o mais habilitado entre as opções para dar lições sobre o Património a Mesquita Machado, que recentemente afirmara que ninguém o poderia fazer.
Com 40% dos votos, a JovemCoop ficou à frente da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (30%), que há longos anos conhece os episódios mais comprometedores do nosso Presidente em relação ao Património, e da ASPA (9%), a histórica e adormecida associação de defesa do património bracarense. Seguiram-se Ricardo Rio (13%), o líder da oposição autárquica que tem dado mostras de bem maior sensibilidade para o património que o autarca socialista, Eduardo Pires de Oliveira (4%), o grande bracarógrafo, e a hipótese "ninguém", que apenas colheu 2% das simpatias. Nem a recente lição sobre o sepultamento dos romanos serviu para atenuar esta votação.
O reconhecimento público dos méritos da Associação JovemCoop atesta duas realidades decisivas para o futuro de Braga. A primeira é o efectivo interesse dos cidadãos por uma participação activa nas questões que interessam ao futuro da cidade. A segunda é o interesse objectivo dos bracarenses, em particular dos mais jovens, pelas questões relativas à preservação e valorização do património. Um sinal positivo de uma geração que foi apelidada de "rasca", mas que dá mostras de cultura e civismo superior.
Obrigado Ricardo Silva! Obrigado JovemCoop! Sem vocês, quem sabe, o que seria das Sete Fontes ou do Recolhimento das Convertidas.

Juntos seremos sempre agente de mudança!
Continuemos a lutar por uma Braga Maior!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Liga dos Grandes

Marcelo Rebelo de Sousa recordou ontem uma interessante questão de injustiça e proteção da Liga de Futebol aos clubes poderosos: porque é que no sorteio do calendário, os três grandes não podem jogar entre si em jornadas consecutivas ou nas cinco jornadas iniciais?
Este sistema, apenas adoptado esta época, não mereceu grandes reclamações dos outros clubes. O Braga teve que enfrentar o Benfica e o Porto em jogos consecutivos.

Quem sabe como seria a história se o sorteio fosse efectivamente livre?
Para quando uma Liga que trate a todos por igual?

"Mãos sujas", segundo D. Jorge Ortiga

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, saltou hoje para as manchetes dos principais jornais nacionais devido ao facto de ter denunciado as "mãos sujas" daqueles que exploram os mais fracos e tentam conjurar inúmeros interesses. Trata-se de uma afirmação óbvia, num país que parece adormecer perante os abusos, nomeadamente no que toca ao capital financeiro.
Sempre me pareceu que o liberalismo económico e a fraca participação do Estado na economia são vectores de gestão pública demasiado perigosos. O Estado tem um papel regulador, particularmente no que concerne à busca de uma justiça social, do qual não se pode excluir.
O período de crise que atravessamos tem proporcionado a manifestação e proteção dos habituais privilegiados da sociedade.
Nunca percebi porque é que a banca se queixa de descapitalização, mas continua a pagar principescamente as suas elites dirigentes. Nem percebo como é que a EDP ou a Caixa Geral de Depósitos pagam autênticos tesouros aos seus consultores - para não falar dos gestores...- e depois têm o descaramento de aumentar brutalmente as tarifas em ano de crise. Muito menos percebi como é que um Estado quer poupar e continua a pagar pensões vitalícias a políticos e ex-políticos que estão no activo e, que se saiba, têm vencimentos elevadíssimos. Falou-se do assunto em outubro e depois um véu de silêncio envolveu este tema...Já para não falar nas gasolineiras, que lucram milhões todos os anos e continuam a "combinar" entre si os preços dos combustíveis, perante a passividade do Estado na proteção do interesse dos cidadãos.
Perante isto, o Estado cala-se e pouco ou nada faz. Como é possível? Onde está a moralidade? Tantos são os portugueses a sacrificar-se e com o emprego em dúvida...
Sou obviamente adepto de que quem tem currículo deve ser distinguido em termos salariais, porém não entendo como se pagam 50 ou 100 mil Euros mensais, acumulados com outras regalias, em empresas que se queixam de falta de financiamento.
Felizmente ainda há boas notícias. Vítor Gaspar parece ter exigido aos bancos que vão aceder aos fundos da Troika uma redução de 50% do vencimento dos altos gestores. Um pequeno sinal positivo no meio de tantos abusos e "mãos sujas" à custa do esforço da maioria dos cidadãos.

Para quando um Estado que regule efectivamente o mercado, não permitindo abusos e exigindo às empresas ética e responsabilidade no uso dos recursos? Para quando um Estado que proteja efectivamente os cidadãos?

sábado, 7 de abril de 2012

A Semana Santa de Braga


 
A Semana Santa de Braga surge hoje com um programa unificado e com uma Comissão organizadora que tenta mobilizar as entidades civis e religiosas em torno de objectivos comuns. Com muito mérito, têm feito este evento crescer.
Para se fazer uma abordagem histórica à Semana Santa temos necessariamente que perceber que estas celebrações se realizam um pouco por todo o mundo cristão e que, mesmo as procissões se repetem um pouco por todo o país. Nesse aspecto, não há propriamente originalidade. Os elementos que fazem da Semana Santa de Braga a mais importante de Portugal referem-se essencialmente ao contexto geral da cidade nesta época e às tradições que os bracarenses fazem questão de manter. A denominada Procissão da Burrinha, recuperada em 1998, e as celebrações litúrgicas que conservam o secular rito bracarense, são exemplares únicos destas solenidades, porém os grandes momentos são atingidos com as procissões organizadas pelas Irmandades de Santa Cruz e da Misericórdia.
Recuando ao período que intermedeia o último quartel do século XVII e os finais do século XVIII, assistiremos a uma Braga a fervilhar de devoção, com a fundação de inúmeras confrarias e com a construção de novos templos e a reforma de outros. Nessa altura, o calendário anual de procissões ultrapassava as largas dezenas. A Semana Santa era um momento significativo para algumas delas. Não havia propriamente um programa geral de celebrações, sendo que muitas delas coincidiam.
A partir do momento em que a Irmandade de Santa Cruz, fundada em 1581, e em que a Irmandade da Misericórdia, fundada em 1513, se começaram a afirmar, as suas procissões adquiriram um igual destaque entre as demais. Recordemos que as pessoas mais influentes da cidade pertenciam a estas Irmandades e isso poderá explicar a dimensão que as suas grandes celebrações anuais adquiriram.
A Procissão dos Passos deverá ter alcançado particular protagonismo quando a Confraria do Bom Jesus dos Passos, erigida na igreja do Pópulo, se uniu à Irmandade de Santa Cruz, no ano de 1769. A Procissão do Senhor “Ecce Homo”, com origens provavelmente no século XVII, ganhou relevo pelo facto de ser um préstito de penitentes, os denominados “farricocos”, que hoje são símbolo da Semana Santa, mas que outrora pungiam os seus pecados neste percurso. Por outro lado, temos o Cabido da Sé Primaz, responsável pelas celebrações do Tríduo Pascal, nas quais participa o Arcebispo Primaz. Por isso, estas celebrações tornaram-se nas mais solenes e sumptuosas da cidade, para além de ostentarem o secular rito bracarense, do qual se destaca a Procissão Teofórica do Enterro, que percorre as naves da Catedral. Da Sé saía ainda a Procissão do Enterro do Senhor, na qual participavam diversas confrarias de Braga, para além das já citadas Irmandades.
Acrescentando a estes destacados momentos, temos o Lausperene Quaresmal, iniciado em 1710 por D. Rodrigo de Moura Telles e que continua a ter uma grande adesão dos bracarenses. Pena que muitas igrejas deixem apodrecer as artísticas tribunas, em nome de uma recomendação conciliar. Não seria possível, uma vez por ano, utilizar as tribunas e deixar entrever a beleza monumental (e espiritual) dos templos da cidade?
A Semana Santa já se afirmou como o maior evento anual da cidade de Braga, seguramente o que maior destaque mediático obtém e o que mais visitantes arrasta à capital minhota. Este facto, faz deste evento o maior produto turístico consolidado da cidade. E tudo isto alcançado através de um orçamento reduzido, mas revestido de muita criatividade e capacidade. O site na internet e o interesse da comunicação social é a prova mais evidente disso mesmo.
A Igreja bracarense pode mesmo dar grandes lições aos poderes públicos do município no que diz respeito ao desenvolvimento de um plano turístico. Os maiores “produtos” turísticos de Braga são presentemente da responsabilidade da Arquidiocese bracarense. Citemos alguns: o Bom Jesus do Monte, a Sé Primaz e Museu e, obviamente, a Semana Santa. Dir-se-ia que as Festas de São João, todo o legado de Bracara Augusta, a Braga Romana, ou o denominado “barroco bracarense”, que tem em André Soares o seu máximo expoente, têm mais que potencial para se tornarem num pólo de atractividade e desenvolvimento, todavia é preciso primeiro traçar um plano devidamente orientado, para depois poder aplicá-lo e recolher os frutos.
Saber valorizar os recursos e potencializar a sua capacidade de gerar riqueza é um sinal de competência. A cidade de Braga beneficia, como poucas em Portugal, de recursos imensos no que toca ao património natural, monumental e, até mesmo, imaterial, se considerarmos o conjunto das suas tradições culturais ainda bem enraizadas. É preciso saber aproveitá-los, a bem do futuro da cidade e dos seus habitantes. Há vontade de o fazer?

Ângulo Maior: Um passo para o Sonho!

Estrada do Bom Jesus, Nogueiró 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ângulo Maior: o Céu abre-se sobre Braga

Igreja de Santa Cruz, Quinta-Feira Santa 2012

A Procissão dos Fogaréus


Uma das procissões que compõe o programa das Solenidades da Semana Santa de Braga é a procissão do ECCE HOMO, popularmente conhecida como a procissão do Senhor da Cana Verde ou dos Fogaréus. Saindo às ruas na noite de Quinta-feira Santa, recorda o julgamento de Cristo quando Pilatos, dirigindo-se à multidão, proclamou: “Eis o Homem”, que em latim se pronuncia ECCE HOMO, daí o nome dado à imagem que é transportada solenemente neste cortejo. Esta procissão tem uma origem bem recuada, será provavelmente a mais antiga das procissões que, por esta época, se realizam na cidade de Braga. Estará certamente associada à fundação das Misericórdias em Portugal, o que aconteceu a partir dos finais do século XV, sob a égide da Rainha Dona Leonor. Assim, a origem desta demonstração religiosa recuará provavelmente ao século XVI, pois a Misericórdia de Braga foi fundada por volta do ano de 1513. Certo é que no século XVII já a Misericórdia de Braga organizava esta procissão como no-lo comprovam crónicas dessa época. 
Hoje a procissão é da responsabilidade da Irmandade da Misericórdia, ligada à Santa Casa da Misericórdia de Braga que tem a seu cargo, entre outras valias, a igreja renascentista da Misericórdia e a Igreja de S. Marcos ou do Hospital. A temática desta procissão está especialmente ligada à instituição responsável, sendo que muitos dos painéis que se observam neste peculiar desfile mostram as obras de misericórdia; a visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel; e Nossa Senhora da Misericórdia que, debaixo do seu manto, abriga pessoas de todas as classes sociais: ricos, pobres, mendigos, religiosos. Ora, estes quadros estão claramente relacionados com a igreja da Misericórdia, edificada em 1562 junto da Sé Primacial, em estilo renascentista que venera, com especial fervor, a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia, tanto no belo painel que protege a tribuna como na bela escultura barroca que adorna um dos altares da igreja. A visitação da Virgem ou as Abraçadas, como lhes chama o povo, está também destacada na igreja onde se pode admirar um notável conjunto escultórico em barro sob a porta lateral do templo,  e também, no interior da igreja, a encimar o magnifico retábulo-mor barroco que o inspirado Marceliano de Araújo executou em meados do século XVIII. Além destes painéis artisticamente pintados, podemos admirar na procissão a imagem setecentista do Senhor Ecce Homo ou Senhor da Cana Verde, também originária desta igreja, que nos mostra o Cristo sofredor, sentado sobre uma pedra, com o manto de purpura cobrindo a mesma, que nos incute um dramatismo bem presente no rosto da imagem e nas suas costas desnudas impregnadas de chagas provocadas pelo vigor do chicote. Nas mãos deste Cristo está, serenamente colocada, a Cana Verde simbolizando o ceptro real típico dos poderosos. O povo piedoso ajoelha-se à passagem do pesadíssimo andor que carrega a devotada imagem, sobre os ombros dos oito irmãos da Misericórdia que, estoicamente, a transportam. A abrir o cortejo, para além dos habituais cavaleiros da guarda, vêm as figuras vestidas de negro, os farricocos, que transportam lanternas de fogo (fogaréus) e as tradicionais matracas ou ruge-ruge que provocam nas ruas um ruído ensurdecedor, muito apreciado pela gente que assiste. Devido ao facto de estas figuras que, antigamente quando ainda não havia iluminação pública nas ruas e a escuridão dominava, transportavam estas lanternas que alumiavam o cortejo, a procissão é também conhecida como a procissão dos fogaréus. No restante do cortejo representam-se cenas da paixão de Cristo onde as crianças, ricamente vestidas de coloridos veludos, dão corpo às personagem que há dois mil anos atrás protagonizaram a história bíblica. A acompanhar a procissão, para além da presença melodiosa de duas bandas filarmónicas, desfilam as digníssimas autoridades religiosas. Saindo da igreja da Misericórdia, a procissão segue rumo pelas habituais ruas do centro histórico recolhendo no mesmo lugar. O povo amontoa-se nas ruas para ver este histórico cortejo que todos os anos cumpre a tradição, insistentemente mantida, pelo povo da tão augusta como fidelíssima cidade de Braga.
Oa farricocos são figuras misteriosas e arrepiantes, que percorrem as ruas da cidade descalços e de rosto tapado. Representam os penitentes do passado que, em favor da remissão dos seus graves pecados, eram aconselhados pelo confessor a participarem neste préstito de penitência, ora auxiliando na iluminação da procissão, ora apelando a cidade à participação com as matracas. São bastante antigas estas manifestações e estão associadas à temática do pecado, do arrependimento, e da penitência. Devido ao facto de, neste período em que se celebra o mistério da morte de Cristo, a Igreja pedir aos fiéis arrependimento e conversão dos pecados cometidos, os farricocos vestiam também a 'pele' de denunciadores e acusadores públicos das pessoas que assistiam à procissão. Ora, todo aquele que tivesse praticado algum acto condenável, era denunciado publicamente, em praça pública, e não sabia quem o acusava uma vez que os farricocos se escondem debaixo do anonimato que as vestes lhe conferem. Portanto, o medo imperava à passagem destas figuras. Ninguém melhor que Antero de Figueiredo, na bela obra O Último olhar de Jesus, para ilustrar este costume: “Na memória de todos estava viva a «Procissão dos Fogaréus», nocturna e triste como um enterro, precedida de temeroso bando de arruaceiros vingativos que, embuçados em capas e chales-mantas, e ocultos no negrume da noite, jogavam às faces, lívidas de medo, das pessoas que das janelas assistiam, delações infames, insinuações caluniosas, cobardes e impunes, que anavalhavam as almas pávidas.”. Acto realmente pouco condizente com a religiosidade da procissão, felizmente desaparecido. 
Curiosos estes costumes da Cidade Augusta. Hoje, os farricocos continuam a percorrer as ruas da cidade, aterrorizando pelo aspecto tenebroso que as vestes lhe impõem, porém não funcionando mais como justiceiros da má hora.   

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Reviver os passos de Jesus numa cidade especial

Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em tentação.» Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.» Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava. Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à tristeza. Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.»

Evangelho segundo S. Lucas, cap.22

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Uma questão de coerência...

Ontem à noite recebemos uma boa notícia: João Gobern, pseudo comentador desportivo da RTP Informação, foi dispensado da sua colaboração no programa Zona Mista. Esta decisão surge na sequência de uma polémica em torno de um gesto deste senhor, festejando em directo o segundo golo do Benfica perante o Sporting de Braga.
Os adeptos braguistas, com toda a legitimidade, revoltaram-se contra esta atitude, que manifestava falta de respeito pelos espectadores não-benfiquistas e uma falha tremenda na ética de um programa de comentário desportivo, que pretendia pautar-se pela seriedade. Recordemos que se trata da televisão pública (se fosse a SIC, já estaríamos habituados a reportagens, tantas vezes, feridas de incoerência e com uma leitura da realidade apropriada à mensagem de um certo clube de Lisboa, arrisco eu...), que tem uma missão de universalidade e coerência para com os portugueses.
Efectivamente já estamos muito habituados a uma comunicação social que transforma a leitura da realidade a partir dos seus interesses particulares e intérpretes. Quando o assunto é futebol, ainda mais interesses giram em torno da qualidade da informação. Só isso pode explicar o que se passou há dois anos, quando o Braga viu jogadores seus serem afastados da competição por dirigentes e órgãos da comunicação social, ou o facto de quase ninguém ter comentado o penalti claro de Javi Garcia sobre Lima e terem passado a semana anterior a analisar até à exaustão um lance claro de agressão que ditou a expulsão do jogador Aimar. Chamar incoerência a isto é muito pouco...
É certo que o afastamento deste pseudo-comentador desportivo não vai mudar o estado da comunicação social em Portugal, nem o tratamento dado ao Sporting de Braga.
Mas é um sinal de que nem tudo é permitido, e que os adeptos do maior clube do Minho, quando unidos, conseguem fazer valer a sua posição.

Continuemos assim, e mostremos a nossa força e confiança no cordão humano do próximo sábado.
Eu vou! E tu?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Guadalupe da verdade!

 «O Parque de Guadalupe é um espaço extremamente agradável, que merece ser visitado e aproveitado pelos Bracarenses; essa é a razão porque os serviços municipais vão colaborar na sua recuperação e modernização», disse o Presidente da Câmara Municipal de Braga no dia 18 de Novembro de 2008.


Em vésperas de eleições autárquicas, Mesquita Machado anunciava todos os dias um novo espaço verde. Foi o parque verde das Sete Fontes, o parque urbano do Picoto, as margens do rio Este e até o pequeno espaço verde de Guadalupe ... como antes também foi o projecto do "novo Bom Jesus do Monte" que seria o parque urbano da Zona Norte!
Agora que a capela de Guadalupe está em vias de classificação como monumento de interesse público, será que alguém aviva a memória ao nosso presidente. Talvez em vésperas das próximas autárquicas poderemos ouvir falar novamente deste assunto...

O que se chama a alguém que, deliberadamente, diz coisas que não são verdade?

Os vícios do passado


"Falla depois da Avenida entre o largo da Lapa e o local de S. João da Ponte, cujo projecto acaba de receber, projecto que lhe merece rasgados elogios, assim como o seu auctor, o snr. Engenheiro João Casimiro Barbosa, do Porto, que apresentou um trabalho notável, pelo qual nos terrenos do extincto convento dos Remédios, será construído um bairro novo, moderno, melhorando notavelmente a cidade."
Correio do Minho, 5 de Novembro de 1907


A transcrição acima exposta pertence às actas de uma reunião camarária de novembro de 1907, e bem poderia pertencer à actualidade. Nos finais do século XIX e inícios do seguinte, os políticos que governavam a autarquia dedicaram-se a aniquilar património para alargar ruas e atingir o progresso que tanto ambicionavam. O convento dos Remédios é um dos exemplos de património sacrificado, numa longa lista da qual fazem parte o castelo da cidade e algumas portas e capelas.
Hoje ninguém se recorda do nome desses políticos, apenas são citados os atentados contra o património por eles protagonizados. O progresso era, então, sinónimo de aniquilação de património.
Um reflexo da actualidade?
Se o presidente da Câmara da altura dizia que iria melhorar "notavelmente" a cidade, o de hoje diz que a cidade vai ficar "um espectáculo", mesmo traçando os projectos sem escutar a população que usufruiu habitualmente desses espaços.

Braga, Compostela e a Cultura

Hoje ficamos a saber, através do Vice-Presidente da Câmara Vítor Sousa, que Braga quer afirmar novamente a sua primazia cultural sobre Compostela, no contexto do noroeste peninsular.
Para tal, sugere que é essencial apostar na cultura e transformar a cidade num grande pólo de atracção.
O grande projecto cultural apontado é a regeneração urbana, que vai alterar a face do centro histórico de Braga.

Ora, estas palavras deixam-me surpreendido. A aposta em cultura tem que ir muito mais longe do que renovar praças e fechar ruas. Aliás, muitos desses espaços estão a ser descaracterizados do seu valor histórico, devido a intervenções pouco sensiveis ao património: recorde-se o caso das reliquias do Parque da Ponte ou dos candeeiros do Largo Carlos Amarante (para não falar dos candeeiros do Campo Novo, que nunca mais voltaram ao seu lugar...).
Apostar na cultura é criar pólos de iniciativa (uma alternativa ao Theatro Circo, rentabilizar o PEB...), incentivar mais eventos no calendário anual, potencializar os recursos que a cidade oferece (o barroco, arte contemporânea, relação com a Igreja...)  e divulgar convenientemente o que já existe ( Braga Romana, Encontros de Imagem, Mimarte...).
Apostar na cultura é não deixar morrer uma das melhores Feiras do Livro do país!
Dizer que não há orçamento? Curiosamente Braga é dos raros municípios portugueses que não tem a seu cargo uma biblioteca pública. A poupança neste âmbito é elevada. Se utilizassem o que gastariam na gestão de bibliotecas, a cultura em Braga seria seguramente melhor.

É por estas e por outras que Braga precisa de mudar. Mudar de prioridades, mudar de 'interesses', mudar na forma de fazer política... Aguardo que os caros militantes socialistas da concelhia sejam inteligentes (alguns comprovadamente são) e façam a 'limpeza' necessária e operem um rasgo definitivo com este passado, na sua pior versão.

domingo, 1 de abril de 2012

A Procissão dos Passos

Cortejo religioso que remonta, provavelmente, ao século XVIII, é organizado pela Irmandade de Santa Cruz sediada na igreja com o mesmo nome. O objectivo da procissão é reconstituir o caminho (os passos) de Jesus Cristo desde o Pretório até ao Calvário. A preparação para a procissão ocorre na véspera do domingo de Ramos quando a imagem do Senhor dos Passos é conduzida processionalmente da Igreja de Santa Cruz para a Igreja do antigo Colégio de S. Paulo, sendo que, no Largo de Santiago, é interpretado por um grupo coral o tradicional Missere e no final realiza-se uma Via Sacra pelas ruas da cidade cumprindo o itinerário dos Passos, pequenos altares levantados em vários pontos do centro histórico onde figuram painéis com momentos da Crucificação de Cristo. No domingo de Ramos, durante a tarde, partindo da Igreja do Colégio a procissão inicia-se percorrendo as ruas da cidade com os tradicionais estandartes da irmandade, inúmeros figurantes entre eles as digníssimas autoridades religiosas. Na procissão destaca-se claramente o andor do patrono da irmandade, o Senhor dos Passos, imagem concebida em 1905 esculpida pelo notável escultor bracarense João Evangelista Vieira, sendo citada como a sua maior obra. A este facto faz referência o jornal Correio do Minho a 4 de Abril de 1905: “...a nova imagem é um primoroso trabalho artístico, de incontestável merecimento, e que muito honra o distinto escultor(...) A atitude, a expressão, a musculatura, o enrugado da túnica, deixando perceber a forma do corpo, tudo enfim foi tratado tão artisticamente, que nos deixa maravilhados.”. Contudo, o ponto alto da procissão ocorre quando esta atinge o Largo Carlos Amarante, defronte da Igreja de Santa Cruz, onde é pronunciado o Sermão do Encontro, findo o qual a procissão prossegue pelas ruas de Braga, agora incorporando-se nela o andor da Senhora da Soledade.
No passado, porém, a procissão conservava outras particularidades. A exemplo, na procissão que se realiza na véspera, a imagem do Senhor dos Passos era conduzida “...encerrada num pavilhão ou camarim portátil...” o que não permitia que a imagem fosse contemplada pelos fiéis que a acompanhavam no trajecto para a Igreja do Colégio, segundo nos conta um jornal de há 50 anos atrás. Outra particularidade ligada a esta procissão era a presença de uma banda de música que acompanhava instrumentalmente o grupo coral, segundo vem referido no Comércio do Minho do dia 29 de Março de 1873: “...a venerável imagem do Senhor dos Passos(...) é acompanhada pela banda regimental...”, ou então como nos diz o Diário do Minho de 10 de Abril de 1954: “...e se incorporou uma banda de música(...) quando passava ao largo de Santiago.”. Relativamente à procissão dos Passos, sabemos que o sermão do Encontro não se realizava, ocorrendo sim dois sermões: o Sermão do Pretório e o Sermão do Calvário, o primeiro realizado na Igreja do Colégio, ao iniciar-se a procissão, e o último ao recolher, junto da Igreja de Santa Cruz, o que vem citado num jornal de há 100 anos atrás. Outra curiosidade é a data pois esta procissão não se realizava no domingo de Ramos mas no 5.º Domingo da Quaresma, ou seja, uma semana antes.
Outro aspecto conta-nos que a procissão levava grandes filas de farricocos, estes de túnicas roxas, como na procissão de Quinta-Feira Santa, o que hoje não se verifica, tendo apenas um farricoco, que abre a procissão com uma trombeta na mão.

A Procissão no século XIX, segundo Antero de Figueiredo em O último Olhar de Jesus
A procissão dessa tarde levava na frente alto guião, de grande varejo, arvorado por farricocos descalços, vestidos de túnicas roxas cingidas às cintas com cordas de esparto, de que também era feita a coroa das cabeças cobertas com capuzes penitenciários, em que os dois buracos, no sitio dos olhos, semelhavam enormes órbitas de pavorosas caveiras. Logo, a máquina do “ruge-ruge” taramelava a sua impertinente cega-rega.(...) O estandarte, pesadíssimo, era empunhado por farricocos escolhidos entre valentes que, como os do guião dianteiro, tinham de fazer com ele o difícil arranco da «enfiada»(antiga tradição em que se tinham de fazer passar os enormes estandartes sob uma pequena porta das antigas muralhas, já demolida, e que obrigava a um temível esforço de quem transportava os estandartes para que não tocassem no chão. O povo juntava-se nesta zona para apreciar a cena.) sob os arcos do Postigo da Porta de São João do Souto. Aos lados, longas e silenciosas filas de irmãos de Santa Cruz, com as suas opas violáceas; e, pelo meio da rua, penitentes vestidos de alvas(...) Debaixo do andor do Senhor dos Passos, mulheres penitentes, de joelhos; ao lado do pálio caminhavam irmãos com pesadas lanternas de prata. Nas torres os sinos dobravam plangentes, de onde a onde...” 

A Procissão dos Passos descrita no Correio do Minho de 1905:
“Abria o préstito um piquete de cavalaria, seguindo-se o estandarte Senatus e a bandeira da irmandade(...) Além das venerandas imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Angústias, tomaram parte no imponente préstito algumas figuras alegóricas, ricamente vestidas, e muitos anjos conduzindo emblemas da Paixão(...) As alas da procissão eram formadas por irmãos daquela irmandade e alunos dos Seminários Conciliar e de St. António e S. Luís Gonzaga.”

 (autoria: Rui Ferreira)

O sonho não acaba aqui!

O Sporting Clube de Braga perdeu ontem no estádio da Luz com o Benfica, por 2-1, num jogo em que o resultado mais ajustado era o empate. Um grande jogo de futebol, com duas grandes equipas. Os golos do adversário foram, alías, muito consentidos por um grupo de guerreiros que bem poderia ter saído com os 3 pontos.
Depois de uma primeira parte dominada pelo Benfica, mas em que a principal oportunidade até foi do Braga ( Mossoró a cruzamento de Alan aos 46'), a segunda parte trouxe um jogo mais dividido, em que as melhores oportunidades pertenceram ao maior clube do Minho. Lima, Hugo Viana e um falhanço escandaloso de Mossoró.
As asneiras constantes de Elderson - para mim o grande responsável pelos dois golos do Benfica - justificam uma exclusão do onze inicial do Braga, ainda para mais quando há uma alternativa perfeitamente viável, que até ganhou a corrida pela titularidade no início da época: Imourou.
Um penalti por marcar e alguma dualidade de critérios marcaram a exibição de um árbitro, que por alguma razão é muito apreciado por aqueles lados da 2.ª Circular. A prova de que alguns dirigentes desportivos se gostam de vergar perante pressões e lobbies.

Depois de 13 jogos a ganhar, os guerreiros beijaram o solo.
Porém, o sonho continua bem vivo! E ontem mostramos porquê...