sexta-feira, 30 de março de 2012

Achados Arqueológicos? Que maçada...

É frequente ouvir-se falar de achados arqueológicos sempre que surge qualquer empreitada no centro da cidade de Braga. Como sabemos, a nossa cidade foi fundada há mais de dois mil anos pelos romanos, tendo sido a mais importante urbe do noroeste peninsular ao longo de quase quatro séculos.
Com a valorização progressiva da arqueologia como disciplina, e dos achados arqueológicos como património, aumentou a necessidade de não permitir a sua destruição.
Braga tem uma história curiosa quando toca a lidar com estes achados. Nas opiniões veiculadas para a imprensa, a autarquia mostra-se sempre pouco entusiasmada. Nas conversas de corredores, a arqueologia aparece quase sempre como uma maçada, quer para empreiteiros, quer para autarcas... Que o diga a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, que assistiu a intensos atentados contra o património arqueológico, com uma permissividade suposta da parte da autarquia. Dizem que o surgimento desta unidade em 1977 - considerada a melhor do país, pelo vasto campo de investigação proporcionado por Bracara Augusta - terá sido a maior dor de cabeça para o nosso presidente ao longo dos seus sucessivos mandatos.
Efectivamente a arqueologia não dá votos, nem é popular. Quem é que quer saber de umas pedras sobrepostas que ninguém é capaz de perceber?
Pelos vistos trata-se de património, e património procurado por visitantes e bracarenses (como atestamos ontem com a 'enchente' do dia dos centros históricos, ou com as iniciativas conjuntas da JovemCoop e Braga CEJ), que pode gerar riqueza e dinamismo económico, para além de aumentar a valia histórica e patrimonial da cidade de Braga.
Os recentes achados do Largo da Senhora-a-Branca ou da rua de S.Vicente vieram aumentar a urgência de valorizarmos o nosso passado. O que se passa com os projectos de musealização do Teatro Romano, exemplar único do nosso país, ou com a Insulae das Carvalheiras? Afinal qual é a prioridade dada à cultura e ao património no nosso município?

Por vezes não custa imaginar as expressões escutadas em certos corredores, após as descobertas das últimas 3 décadas:Achados arqueológicos? Outra vez? Que maçada!

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